Do críquete à glória no futebol argentino

O modesto Banfield, criado por um grupo de comerciantes, surpreende os favoritos, vive a euforia do primeiro título e sonha com a Libertadores

Ariel Palacios, de Buenos Aires, O Estadao de S.Paulo

15 Dezembro 2009 | 00h00

Paciência e esperança foram marca do Banfield, modesto clube do município homônimo na Grande Buenos Aires. Desde sua fundação, há 113 anos, por um grupo de comerciantes e profissionais ingleses e irlandeses que haviam migrado para a Argentina, nunca havia conseguido o título de campeão. Criado originalmente para ser clube de críquete, o Banfield caiu cinco vezes para a Segunda Divisão em sua história.

No domingo, a equipe perdeu para o emblemático, mas atualmente medíocre Boca Juniors por 2 a 0, porém conquistou o título máximo nacional pela soma de pontos. Obteve, também, vaga na Taça Libertadores, em que entrará em 2010 com grandes ambições.

Apesar da derrota final, os escassos 4.900 torcedores do Banfield celebraram a epopeia no mítico Estádio de La Bombonera como se o time tivesse goleado o Boca.

Os analistas esportivos lembraram, com ironia, que o vencedor do Campeonato Apertura obteve o título apesar da derrota para a "pior versão do Boca Juniors dos últimos dez anos". Os comentaristas destacam que a atual crise do Boca é ainda pior que a dos recentes anos tenebrosos de 1996, 1997 e 2002. "O ano de 2009 é para ser esquecido", afirmaram nas últimas semanas vários ídolos do clube.

No âmbito das estatísticas, os torcedores do Banfield têm motivos de sobra para comemorar. O time, afinal, foi o que mais venceu jogos no campeonato (12 em 19), foi o menos derrotado (duas vezes) e conseguiu ficar invicto por expressivas 15 partidas. De quebra, ostentou o artilheiro do campeonato, Santiago Silva (um uruguaio que jogou brevemente no Corinthians), com 14 gols.

Ainda no campo dos números, o técnico do Banfield, Julio César Falcioni, transformou-se no primeiro ex-goleiro na história do futebol argentino a ser campeão como treinador.

O Banfield - cujo apelido é "El Taladro" (A Broca) - integrará o Grupo 6 da próxima Taça Libertadores da América, ao lado do Nacional do Uruguai, o mexicano Morelia e o Deportivo Cuenca, do Equador.

FORÇA ESTRANGEIRA

Até a inusitada conquista do campeonato no domingo, o Banfield quase sempre foi considerado um time "periférico" no futebol argentino. Sem contar com torcedores famosos (o único de peso é o ex-presidente provisório Eduardo Duhalde), o time foi crescendo gradualmente desde a virada do século.

Nos últimos anos entraram no time diversos estrangeiros que propiciaram um estilo aguerrido à modesta equipe. Entre eles, além do próprio Santiago Silva, estão os colombianos James Rodríguez, Julián Guillermo Rojas e Fernando Junior Medina.

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