Do frio catarinense vem o 1º vinho do gelo brasileiro'

Fazer vinhos do gelo é uma aventura: é preciso deixar as uvas no vinhedo até que congelem, em anos e regiões em que a temperatura baixa permita. O risco é enorme. Quanto mais tempo as uvas maduras ficam no pé, maior o perigo de serem atacadas por podridão ou predadas por pássaros. O suspense não termina aí. Colhidas, as uvas precisam ser prensadas imediatamente e com o gelo que recobre cada bago. O que acontece é que o frio extrai parte do líquido da uva, e esse líquido forma o gelo na superfície. O resultado é que o líquido que sobrou na uva fica mais concentrado, dando origem a um vinho intensamente concentrado, doce e caro. Os ice wines mais famosos são os canadenses, por óbvias facilidades climáticas, mas os eisweins de Alemanha e Áustria são notáveis. Agora uma vinícola catarinense, a novíssima Pericó, anuncia o primeiro ice wine brasileiro. As uvas passificadas pelo frio foram colhidas nos dias 4 de junho e 12 de julho, com temperatura de -7,5°C nos 1.300 metros de altitude do vinhedo. O ice wine brasileiro, de uvas tintas, Cabernet Sauvignon, só chegará ao mercado em 2010, mas o enólogo Jefferson Sancineto Nunes está animado. De 3,5 hectares, colheram-se 3 toneladas de uvas, das quais saíram os 900 litros de mosto que agora fermentam por dois meses em aço e depois passarão para barricas de carvalho francês.

O Estado de S.Paulo

23 Julho 2009 | 02h10

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