Do pomar direto para o consumidor

Iniciativa em Pilar do Sul (SP) comercializa produção de frutas na propriedade para agregar valor à produção

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2009 | 02h33

Pêssegos, maçãs, ameixas e cachos de uvas, colhidos maduros, no auge do sabor, e entregues diretamente para o consumidor, prontos para serem degustados. Essa é a proposta da Associação Paulista de Produtores de Caqui (APPC), com sede em Pilar do Sul, na região de Sorocaba (SP), para agregar valor à produção e, ao mesmo tempo, resgatar o prestígio da fruticultura de mesa do Estado de São Paulo.A prática de colher a fruta verde para facilitar o transporte e prolongar o período de comercialização, comum entre os produtores, tem resultado na perda de sabor e de qualidade, como explica o engenheiro agrônomo da APPC, Sérgio Massunaga. "As frutas colhidas muito verdes não atingem o tamanho, a coloração e o teor de açúcar ideais e acabam desagradando o consumidor." Ameixas e algumas variedades de uva, como a itália, perderam mercado por esse motivo, segundo ele.O plano dos produtores da região de Pilar do Sul é deixar a fruta no pomar até o ponto de consumo. "Vamos retardar a colheita para que a fruta adquira o tamanho e pegue a cor de madura no pé. Só então fazemos o trabalho de pós-colheita e embalagem." Como a região fica próxima de centros de consumo como Sorocaba, Campinas e São Paulo, é possível transportar a fruta madura até alguns pontos de distribuição.Mas a principal aposta dos associados da APPC é na venda direta na propriedade. A ideia é levar consumidores em potencial até o pomar para que conheçam os sistemas de produção e depois reuni-los em um showroom para degustação das frutas e comercialização. "Será um modelo de turismo rural semelhante ao japonês, mas sem o sistema colha e pague, pois vamos vender as frutas já embaladas", contou o agrônomo.VISITA PILOTOO primeiro teste deu bons resultados. No último dia 20, duas agências de turismo da capital paulista levaram a Pilar do Sul, em dois ônibus, cerca de 90 consumidores de frutas. Divididos em grupos, eles visitaram pomares de ameixa, pêssego, maçã e uva japonesa - frutas que estão em colheita nesta época - e participaram de uma sessão de degustação. No retorno, os bagageiros estavam repletos de caixas de frutas. "Foi além da nossa expectativa", comemorou Massunaga.A professora Júlia Takeda, moradora da Vila Mariana, ficou entusiasmada com a maçã da variedade eva. "É muito doce e cheirosa. Não imaginava que pudessem produzir maçãs tão perto de São Paulo." Ela estava acompanhada da mãe, Matie, de 84 anos, e da filha Luiza, de 3. No pomar, não resistiram: colheram e degustaram as frutas.A diarista Wilma Martins, moradora do Bosque da Saúde, encantou-se com as ameixas da variedade rubi. "São doces como mel e muito suculentas." O funcionário público Laerte Farias, do bairro da Liberdade, elogiou a qualidade dos pêssegos da variedade chilipá. "A polpa é tenra e o caroço solta, facilitando as mordidas."

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