Doadores buscam ir além da ajuda imediata ao Haiti

O primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, e outras autoridades começam a planejar na segunda-feira formas de passar da ajuda humanitária imediata para a reconstrução de longo prazo do país caribenho, devastado por um terremoto que matou até 200 mil pessoas neste mês.

RANDALL PALMER, REUTERS

25 de janeiro de 2010 | 08h46

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, o chanceler Celso Amorim e o francês, Bernard Kouchner, e outros irão examinar um provável perdão da dívida haitiana e uma estratégia de reconstrução do país mais pobre das Américas.

"Estamos todos vendo a terrível situação no nosso país, e a tarefa à sua frente é inimaginável", disse Harper a Bellerive em Ottawa no domingo à tarde. A conferência de segunda-feira, em Montreal, vai durar o dia inteiro.

"Então vocês não estão sozinhos. Estaremos trabalhando juntos na conferência amanhã e nas próximas semanas, meses e anos para reconstruir o seu país."

Bellerive está sob forte pressão no Haiti para acelerar o auxílio imediato, e admitiu a frustração popular, já que muita gente perdeu casa, parentes e todos os bens.

"Estou extremamente impressionado como primeiro-ministro pela resistência do povo. Você ouve falar muito da violência, mas isso não é verdade no Haiti", disse Harper. "As pessoas estão esperando com bastante frustração, claramente, mas com bastante paciência."

O chanceler canadense, Lawrence Cannon, disse a jornalistas que deve ser discutido um perdão à dívida haitiana, estimada por grupos humanitários em pouco mais de 1 bilhão de dólares.

"Acho que é certamente algo que será considerado entre as diferentes opções disponíveis", afirmou, acrescentando que seria "um pouco prematuro" decidir isso já nesta conferência, focada, segundo ele, em criar uma espécie de mapa para a ajuda ao país.

Antes do terremoto, o FMI, o Banco Mundial e vários países credores já haviam perdoado grande parte da dívida haitiana, dada a situação de penúria do país.

O Clube de Paris, que reúne países credores, disse nesta semana que vai acelerar o processo do perdão da dívida e pediu a Taiwan e Venezuela, dois grandes credores do Haiti que não são parte do Clube, que façam o mesmo.

A República Dominicana, único país com fronteira terrestre com o Haiti, propôs na segunda-feira passada aos doadores a criação de um programa de assistência de 10 bilhões de dólares ao longo de cinco anos.

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