Docentes do Ceará rejeitam proposta de reajuste do MEC

Aumento de 25% é considerado insuficiente pelos professores, que pedem 40%; sindicatos sinalizavam fim da greve

FORTALEZA , O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h06

Os professores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) decidiram ontem continuar com a greve iniciada por eles há 45 dias. Eles rejeitaram a proposta do Ministério da Educação (MEC), um reajuste salarial de 25% a partir de março de 2013. Os grevistas mantêm a reivindicação de 40%.

A ideia inicial do Sindicato dos Professores da UFC e da Unilab era fazer um plebiscito para decidir sobre a proposta do MEC, mas isso foi derrubado em assembleia. A secretária-geral do sindicato, Marília Brandão, disse que a decisão será levada ao MEC amanhã. Em nota divulgada antes da assembleia, as entidades sinalizavam com o final da paralisação. "Após quase dois meses de greve, conseguimos finalmente avançar nas negociações", afirmaram em nota, sobre o índice de reajuste proposto. "Permanecem os desafios de melhorar a estrutura da carreira docente e o piso salarial em um futuro próximo, entre outros", continuaram.

"Esperamos que o governo atenda também às reivindicações dos servidores técnico-administrativos, que são tão importantes para as universidades quanto os docentes", seguia o texto. Os servidores da UFC fazem hoje uma passeata pelas ruas centrais de Fortaleza.

No Rio. Alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão promovendo rodas de samba, apresentações de bandas, festas e outras atividades culturais no Canecão, tradicional casa de shows da zona sul do Rio. O local foi fechado em outubro de 2010, quando a Justiça determinou a devolução do imóvel à UFRJ.

"Em dois dias, fizemos o que a UFRJ não fez em dois anos", diz a estudante de Comunicação Carolina Barreto, de 26 anos, integrante do comando de greve. Além da ocupação cultural, os alunos se reuniram num mutirão de limpeza. "Gastamos R$ 600 em produtos, como detergente, desinfetante", afirma. Até o fim da semana, estão previstos maratona de cinema e oficinas de teatro.

A ocupação faz parte do movimento grevista de alunos, professores e técnicos administrativos da universidade, paralisada desde 17 de maio. Entre as reivindicações está a garantia de que a casa de shows se torne um espaço público, sem gestão compartilhada com a iniciativa privada.

Entre 30 e 40 alunos estão dormindo na antiga casa de shows, em barracas e colchões. Após vistoria, professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo recomendaram que os estudantes evitassem circular no que já foi a plateia do Canecão - parte do teto está cedendo.

Os estudantes marcaram para quinta-feira uma reunião com associação de moradores e lojistas do bairro de Botafogo para discutir o futuro do Canecão. A UFRJ diz que há um processo de licitação para obras, mas não esclarece o uso que a universidade dará ao espaço. / LAURIBERTO BRAGA, ESPECIAL PARA O ESTADO. COLABOROU CLARISSA THOMÉ, DO RIO

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