Doces histórias e receitas de Cora Coralina

Livro organizado pela filha caçula, Vicência Brêtas Tahan, traz receituário açucarado que fez da poeta uma famosa doceira

Lucinéia Nunes,

15 Outubro 2009 | 10h31

As passas de caju e os doces de laranja, figo verde e mamão vermelho que permearam a vida, a cozinha e a poesia de Cora Coralina (1889–1985) saem do antigo caderno de receitas para as páginas de Cora Coralina Doceira e Poeta, da Global Editora. COMO ANTIGAMENTE - O doce de abóbora e a geleia de uva estão entre as especialidades da poeta A ideia de reunir os quitutes açucarados foi de Vicência Brêtas Tahan, a mais nova dos quatro filhos de Cora. Ela contou com a ajuda de "duas boas doceiras", Ailde Andrade e Fátima Rahal Augusto, para testar e tornar as receitas mais leves. "Minha mãe usava 20 ovos, 5 quilos de açúcar, muita banha de porco", conta Vicência. Veja também:  Receita de doce de abóbora 'Cora Coralina: Doceira e Poeta' Global Editora 144 páginas R$ 119 Já os doces glaceados (banhados no glacê de açúcar), como os belos cubos de abóbora da foto ao lado, foram feitos pelo bisneto Eduardo Galvão, engenheiro que herdou não só o dom da doçaria mas também um tacho de cobre – presente dado por Cora a cada filho e neto como legado de seu trabalho. Realmente há quem diga que o segredo dos doces de Cora estavam nos tachos de cobre, nas horas de fogo brando no fogão a lenha para dar o ponto e até mesmo no sol escaldante da Cidade de Goiás que secava as frutas, firmando a casquinha crocante de açúcar por fora e preservando a cremosidade interna. Não era só. Por trás da escolha das melhores frutas, da calda apurada e das embalagens caprichadas estavam o amor pela doçaria e a obstinação. Cora voltou para Goiás, já viúva, depois de 45 anos morando no Estado de São Paulo. E lá vendeu seus doces durante 14 anos, para conseguir comprar a velha casa da ponte de sua infância, construída junto ao Rio Vermelho, que hoje abriga um museu.

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