Documento de Aparecida sai em livro e omite alterações

Versão oficial não faz menção a mudanças feitas pelo Celam no texto original, que causaram polêmica

José Maria Mayrink, do Estadão,

25 de agosto de 2007 | 13h48

O Documento de Aparecida, texto conclusivo da 5.ª Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, chegou na última sexta-feira, 24, às livrarias católicas com a versão oficial aprovada pelo Vaticano, sem nenhuma referência às alterações feitas pela antiga direção do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), sob a responsabilidade de seu então presidente, o cardeal chileno Francisco Javier Errázuriz Ossa.     Veja também:  Destaques das alterações  Texto alterado, que foi ao Vaticano  Texto original, aprovado em Aparecida   Lançado em parceria pelas editoras CNBB, Paulus e Paulinas, sob a responsabilidade do Celam, o Documento de Aparecida (301 páginas, R$ 12,80) começa com a carta de Bento XVI aos bispos latino-americanos, na qual ele autorizou a publicação da versão que havia sido adulterada antes de lhe ter sido entregue.   Nas 36 páginas finais, o livro transcreve os pronunciamentos feitos pelo papa em Aparecida - a homilia da missa na praça do Santuário Nacional, a oração do rosário recitado no interior da Basílica, a saudação aos fiéis na oração do Regina Coeli e o discurso dirigido aos bispos na sessão inaugural da conferência.   O texto original de Aparecida, votado em 31 de maio, foi publicado com exclusividade pelo Estado e pelo portal www.estadao.com.br em 7 de junho, quatro dias antes de ter sido levado a Roma pelos trêspresidentes da 5.ª Conferência-Geral - os cardeais Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos, Francisco Javier Errázuriz Ossa, presidente do Celam e Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil. Entregue a  Bento XVI na manhã de 11 de junho, o texto foi divulgado um mês depois, durante  a 31.ª Assembléia Ordinária do Celam, em Havana, Cuba.   Ao apresentar o documento com a carta do papa, o cardeal Errázuriz declarou que as alterações feitas no texto se limitavam a questões formais e de redação que não comprometiam o conteúdo. Nas semanas seguintes, bispos, leigos e seus assessores que haviam participado da Conferência de Aparecida apontaram mudanças mais profundas, com cortes e acréscimos. As mais relevantes referem-se às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), conforme o Estado apontou na edição de 17 de agosto. As comissões pastorais sociais pediram o restabelecimento da versão original, sugestão feita também pelo cardeal Geraldo Agnelo, mas a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) achou melhor não enfrentar o Vaticano.

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