Dois artistas que tratam da questão dos 'processos'

Camila Sposati e Felippe Segall abrem hoje suas individuais na Casa Triângulo

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

Camila Sposati esteve entre julho e setembro em Londres no departamento de química da University College of London e na Loughborough University desenvolvendo a segunda etapa de sua pesquisa, iniciada em 2007 e feita a partir dos cristais. "O cristal é o produto mais organizado da natureza, o mais sólido, simétrico", diz a artista, que inaugura hoje na Casa Triângulo a mostra Nucleação, formada por fotografias, desenhos e projeção, criados a partir de seu trabalho "mais filosófico que conceitual", a partir do processo das etapas de crescimento do material.

Uma das vencedoras do 8º Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia (leia no quadro), Camila se diz mais vinculada à ciência - em Nucleação, a relação da química - do que com os recursos tecnológicos, usados apenas como ferramenta e não linguagem. "O cristal é um sal inorgânico, com crescimento que não se dá por vida, mas por energia, esculpido pelo tempo", diz ela. Há sete tipos possíveis de cristais (com formas e cores) e Camila mesma conseguiu fazer "crescer" alguns deles.

Em Nucleação, de certa forma, é uma questão de método que prevalece. Ao tratar do mote de acúmulo de energia para a construção de algo ("Estamos buscando-a nos lugares certos?", indaga Camila), a artista coloca questões como a pureza (o sal e reação química mais pura formam cristais mais perfeitos) e de formação do mundo (algumas das fotografias remetem às pirâmides, tratando do início da civilização). Camila também participa da 7ª Bienal do Mercosul com o ramo de sua pesquisa sobre a fumaça, "oposto" dos cristais - seu crescimento é desorganizado dada a efemeridade da natureza do produto.

A Casa Triângulo ainda inaugura hoje em seu mezanino a exposição Arquitetura da Memória, de Felippe Segall. Neto do pintor Lasar Segall, o artista, tomado pela experiência de ter seu apartamento "da infância" sendo esvaziado porque tinha sido vendido, fez em 2007 trabalho fotográfico e performático a partir de sua relação com aquele espaço. O resultado são fotografias, coloridas e em preto e branco, de forte caráter geométrico, trabalhadas e compostas desde aquele ano e que reforçam uma dupla condição, como escreve o crítico Paulo Reis: "ser operação e representação em simultâneo".

Serviço

Camila Sposati & Felippe Segall. Casa Triângulo. Rua Paes de Araujo, 77, 3167-5621. 11h/ 19h (fecha dom. e 2.ª). Grátis. Até 21/11. Abertura hoje, 12 h, para convidados

Fórum e Prêmio

ARTE E TECNOLOGIA: O Instituto Sergio Motta vai realizar entre terça-feira e quarta-feira no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo, o Fórum Internacional A&T - Perspectivas Críticas. Curadores e críticos internacionais (como Gerfried Stocker, diretor do centro Ars Electronica em Linz, Áustria; Susan Collins, da University College de Londres; e Yukiko Shikata, do centro NTT InterCommunication do Japão) e nacionais fazem palestras e leituras de portfólios. O evento, também, marca a premiação dos vencedores do 8º Prêmio Sergio Motta (coordenado por Giselle Beiguelman): Arthur Omar, Rejane Cantoni, a dupla Gisela Motta e Leandro Lima, Camila Sposati e Fernando Velázquez (categoria meio de carreira); Fernando Rabelo e Jarbas Jácome (categoria início de carreira); e Carlos Fadon Vicente (Hors Concours).

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