Dois gourmets, ótimos vinhos e o 'evento' de Ed Motta

Braulio Pasmanik e Jacques Trefois

O Estado de S.Paulo

19 Julho 2007 | 06h29

Passamos um fim de semana no Rio percorrendo botecos com o Jobi, o Bracarense, o Nova Capela e o Bira, na Pedra de Guaratiba. Mas não resistimos e acabamos visitando também o restaurante de Roberta Sudbrack, festejado como o melhor da cidade no momento. Chegamos ali curiosos. Esperávamos um ótimo jantar: boa comida, bom serviço, bom astral, boa companhia, ótimos vinhos. Mas se a seu lado está sentado o Ed Motta - com os devidos salamaleques para um cliente que recebe porções "reforçadas", leva lanchinho para comer no dia seguinte e é quase hóspede do restaurante -, a refeição se transforma em um evento. Compenetradíssimo, Ed Motta, mentor do encontro, estava cercado por garrafas de Bourgogne, avaliando bruschettas e pequenas carolinas aromatizadas com queijo parmesão, que eram a versão divina do pão de queijo. Sentamos: Ed na cabeceira, e nós ao lado, ciceroneando as quatro estrelas da mesa - os vinhos Pouilly-Fuisse Clos de Mr. Noly 1998 da Domaine Valette, maravilhoso e complexo; Puligny-Montrachet Les Clovaillons 2004 da Domaine Leflaive, elegante, fenomenal e extraodinário; Chambertin-Clos de Beze 1999 do Dominique Laurent, fantástico e longo; Charmes-Chambertin 2002 do Dugat-Py: grandíssimo. Começamos com uma alegre e pobre versão de quiabo recheado com camarão. Em seguida, veio à mesa um delicado ovo pochê com torradinhas crocantes que estava muito bom, mas quase infantil e não era o que esperávamos das mãos competentes de Roberta. Existem dias em que as coisas não dão certo. É quando a expectativa é maior que a realidade do sabor. Depois, duas versões de peixes foram servidas. Novamente as texturas e os sabores não condiziam com a nossa esperança. Um leitão à pururuca, competente mas sem muito entusiasmo, finalizou a seqüência de pratos quentes. Na sobremesa, morangos com amêndoas torradas e creme. Os docinhos que acompanharam o café provocaram uma disputa: as mãos mais rápidas pescavam pequenos éclairs de chocolate que fecharam a noite. Saímos com a certeza de que devemos voltar, recomeçar e encontrar os sabores de Roberta Sudbrack que, como diabinhos travessos, naquela noite fizeram questão de se esconder.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.