Dólar baixo faz mineiro trocar EUA pela Europa

A desvalorização do dólar, antes mesmo do estouro da crise financeira internacional no ano passado, está levando os mineiros do médio Vale do Rio Doce a emigrar para a Europa em vez dos Estados Unidos. Portugal, pela facilidade da língua, é o país mais procurado. O movimento, porém, está longe da febre que começou a levar moradores de 25 cidades da região para a América desde a década de 1960.

, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

De acordo com pesquisas da Universidade do Vale do Rio Doce (Univale), houve três ondas de emigração para os Estados Unidos. Os primeiros valadarenses embarcam nos anos 1960. O maior volume de emigração, no entanto, foi registrado na década 1980. Foram esses que conseguiram, de fato, investir na cidade.

Bairros inteiros, como JK e Vila Rica, foram erguidos graças às remessas desses emigrantes. A maior parte deles, quase 40%, conseguia investir entre US$ 500 e US$ 1 mil por mês. Nessa época, as remessas enviadas do exterior chegaram a somar valor equivalente ao orçamento anual do município, em torno de R$ 250 milhões.

A terceira onda migratória ocorreu no início desta década. A realidade, porém, já não era a mesma. Poucos conseguiram fazer poupança, mesmo trabalhando de 14 a 16 horas por dia. Com dólar baixo, a renda nos Estados Unidos já não era suficiente para sobreviver por lá e ainda investir no Brasil.

A maior parte dos mineiros que voltaram no último ano está nesse grupo dos emigrantes recentes. Eles trabalharam muito, mas não conseguiram juntar dinheiro para abrir um negócio próprio e agora vão precisar disputar uma vaga no mercado de trabalho. "Ainda não sei como será a vida no Brasil, quero conseguir fazer faculdade, mas lá, nos Estados Unidos, eu estava vivendo à margem da sociedade", diz Karinne Puppo, de 35 anos.

"A gente trabalha só para sobreviver, para pagar as contas, como no Brasil." Fazendo faxina, ela conseguia faturar US$ 400 por semana. Mas diz que o dinheiro não era suficiente por causa do custo de vida. Se é para viver tão apertada quanto nos Estados Unidos, avalia Karinne, melhor viver em Valadares, perto da família e dos amigos, com vista para o Pico do Ibituruna, seu lugar preferido no mundo. Ela voltou há três meses. Da Flórida, só trouxe muambas para vender às amigas.

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