Dólar cai 0,39% ante real com perspectiva de alta dos juros

O dólar fechou em queda frente ao real nesta quinta-feira, pressionado pela perspectiva de maior entrada de divisas estrangeiras no país após o Banco Central abrir as portas para um possível aumento dos juros.

BRUNO FEDEROWSKI E NATÁLIA CACIOLI, Reuters

07 de março de 2013 | 17h59

A trajetória de queda da moeda norte-americana era acentuada, também, pelo renovado apetite por risco nos mercados internacionais após a publicação de dados positivos sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos.

O dólar caiu 0,39 por cento, para 1,9615 real na venda, após encerrar o pregão anterior com alta de 0,21 por cento, cotado a 1,9691 real.

"Essa posição do BC ontem deixou a entender que, se o quadro permitir, ele volta a subir os juros", disse o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros, acrescentando que um aumento na Selic tornaria a economia brasileira mais atraente para capitais estrangeiros.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros brasileira na mínima histórica de 7,25 por cento ao ano mas, segundo analistas, abriu espaço para aumentar a Selic no curto prazo. O mercado aposta em aumento da taxa básica de juros em abril ou março.

A expectativa ganhou força após o BC afirmar, em comunicado que acompanhou a decisão sobre juros na noite de quarta-feira, que irá avaliar o cenário macroeconômico até sua próxima reunião para então definir os próximos passos da política monetária.

O maior apetite por risco nas praças financeiras internacionais também ajudou a pressionar o dólar nesta sessão, após dados mostrarem que o número de novos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caiu inesperadamente na semana passada, sugerindo que a maior economia do mundo está se recuperando.

Segundo analistas, a pressão sobre o dólar foi ampliada pelo fato de que as instituições financeiras têm posições vendidas na divisa norte-americana e por sinais de melhora no fluxo cambial para o país.

"O fluxo está melhorando um pouco", disse o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme. "Isso ajuda, já que os próprios bancos empurram a cotação do dólar para baixo porque estão vendidos", completou ele, referindo-se às apostas das instituições financeiras em uma queda da moeda norte-americana.

Embora o fluxo cambial --o balanço entre entrada e saída de moeda estrangeira do país-- tenha fechado negativo em 105 milhões de dólares em fevereiro, o país registrou entrada líquida de 3 bilhões de dólares na última semana do mês.

No entanto, operadores afirmavam que a queda do dólar deve ser contida por cautela em relação a possíveis intervenções do BC. O presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, afirmou no fim de fevereiro que a instituição quer reduzir a volatilidade no mercado de câmbio.

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