Dólar cai 1,44% com melhora externa e à espera de medidas

A melhora no quadro externo, com expectativas de medidas de estímulos monetários por parte dos bancos centrais mundiais, fez o dólar cair mais de 1 por cento ante o real nesta terça-feira.

DANIELLE FONSECA, REUTERS

19 de junho de 2012 | 18h06

A divisa norte-americana fechou com queda de 1,44 por cento, cotada a 2,0275 reais na venda. Desde o dia 14 passado, quando o governo anunciou mudanças na tributação de empréstimos externos, o dólar já acumula queda de 2,13 por cento, mas ainda tem alta no mês de 0,50 por cento.

Segundo operadores, o movimento desta sessão acompanhou o de outras moedas ao redor do mundo, mas as preocupações com a zona do euro devem continuar no foco, podendo trazer alguma volatilidade para a moeda norte-americana nos próximos dias.

Um economista, que prefere não ser identificado, argumentou que o mercado externo mais otimista nesta terça-feira, à espera de mais medidas de estímulo dos bancos centrais, ajudou a sustentar a queda do dólar.

Além disso, nesta quarta-feira, o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), vai anunciar sua decisão de juros e os investidores continuam na expectativa de que novas medidas de estímulos possam ser anunciadas para ajudar na recuperação da economia.

Mas há ceticismo também.

"O dólar acompanhou lá fora... Houve uma melhora no exterior, mas não mudou absolutamente nada: a Grécia continua quebrada, a Espanha é a próxima e depois a Itália", afirmou o operador de câmbio da Interbolsa Corretora Ovídio Soares.

"Também é óbvio que o fato do governo ter alterado o IOF sobre empréstimos já demonstra possibilidade de outra mudanças, o que diminuiu um pouco a coragem de apostar em alta", acrescentou o operador.

Ele referiu-se à redução do prazo sobre empréstimos externos que tem incidência da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6 por cento para até dois anos, anunciada no final da semana passada pelo governo. Até então, a medida valia para operações de até cinco anos.

Soares ainda vê a possibilidade de a moeda norte-americana ainda subir alguns dias em função de uma maior aversão ao risco e notícias negativas da zona do euro, mas acredita que o ímpeto do mercado para especular diminuiu depois que o governo tomou a medida sobre empréstimos externos.

"Enquanto o Banco Central fazia leilões de swap, o mercado contornava, mas quando se muda a estrutura e faz medidas, podendo até retirar outros IOF, o mercado fica mais temeroso", disse ainda o operador.

O BC já não faz leilões de swap cambial tradicional -que equivalem a venda de dólares no mercado futuro- por seis sessões seguidas.

Às 17h48 (horário de Brasília), o euro tinha alta de 0,87 por cento ante o dólar, enquanto a moeda norte-americana tinha queda de 0,68 por cento ante uma cesta de divisas.

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