Dólar desvalorizado preocupa Coutinho

Para presidente do BNDES, câmbio afeta até setores competitivos

Alessandra Saraiva, RIO, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

O efeito do dólar fraco na rentabilidade das exportações brasileiras preocupa o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), revelou o presidente da instituição, Luciano Coutinho. "Do nosso ponto de vista, há preocupação com a apreciação da taxa de câmbio, que não só afeta setores manufaturados neste momento, mas até setores competitivos, cujos preços internacionais não estão tão favoráveis", admitiu.

O executivo, porém, se esquivou de especular sobre novas medidas de apoio aos exportadores com recursos do banco. Ele ressaltou que o Ministério da Fazenda já produziu "medidas no passado recente" para auxiliar o exportador a passar pela crise

No fim do ano passado, período de maior impacto da crise sobre o comércio exterior, o governo anunciou um reforço de R$ 5 bilhões na linha pré-embarque do BNDES, que financia produção de bens de capital destinados à exportação. A medida destinava-se a suprir a estiagem do crédito privado, com o desaparecimento da oferta dos Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACCs).

Em junho, uma nova medida de auxílio ao setor reduziu, até 31 de dezembro, as taxas de juros nos financiamento à exportação de máquinas e equipamentos.

Em entrevista durante o 11º Congresso de Agribusiness, realizado ontem, no Rio, Coutinho foi enfático ao comentar a perda de impacto da crise global na economia brasileira. "A crise passou; agora, é investir", disse. "O objetivo agora é estimular a difusão do investimento, e outra vez torná-lo a principal força de liderança do crescimento brasileiro."

Também presente, o ex-ministro da Agricultura e hoje coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, defendeu uma estratégia ampla e abrangente do governo para ajudar os exportadores neste momento de valorização do real.

Ele defendeu a desoneração tributária, o crédito mais barato para os exportadores e a compra de dólar pelo governo. "Estas medidas são paliativas. Precisamos de uma estratégia ampla e abrangente, que não seja torcer para que o dólar tenha mais valor", afirmou.

AGRONEGÓCIO

Coutinho informou que os empréstimos do BNDES para a agropecuária podem encerrar o ano com valor superior a R$ 18 bilhões, ante R$ 16 bilhões em 2008. Até outubro, os financiamentos para o setor acumulam R$ 16,9 bilhões em 12 meses.

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