Dólar fecha no menor nível desde 1999; BC reforça compras

O dólar fechou abaixo de 1,55 real pela primeira vez desde 1999 nesta segunda-feira, mesmo após três intervenções do Banco Central no mercado.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

25 de julho de 2011 | 17h06

A moeda norte-americana terminou em queda de 0,71 por cento, a 1,5442 real para venda.

A taxa Ptax, calculada pelo Banco Central e usada como referência para contratos futuros e outros derivativos, recuou 0,63 por cento, a 1,5449 real para venda.

A queda do dólar no Brasil foi mais intensa do que em outros lugares, onde pesou mais a incerteza a respeito da dívida dos Estados Unidos. Ante uma cesta com as principais divisas, o dólar caía 0,11 por cento às 17h.

O BC respondeu com uma intervenção mais intensa do que nos últimos dias. Além dos dois leilões de compra de dólares no mercado à vista que vinha realizando nos últimos dias, o BC fez uma operação a termo, com liquidação em 2 de agosto.

Foi o primeiro leilão de compra de dólares a termo desde abril. Nesse tipo de operação, os bancos se comprometem a vender dólares ao BC em uma data futura a uma taxa predeterminada --no caso desta segunda-feira, a 1,5420 real.

As operações, no entanto, tiveram pouco impacto sobre a cotação do dólar, e o mercado segue aguardando novas medidas do governo para frear a valorização do real.

Em evento em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que "o governo continua olhando seriamente para o câmbio e sempre estaremos propensos a tomar medidas".

Há pouco mais de duas semanas, o BC anunciou exigências mais duras de depósito compulsório sobre as posições vendidas dos bancos no mercado à vista.

Na sexta-feira passada, no entanto, a presidente Dilma Rousseff afirmou a jornalistas que o governo não deveria tomar novas medidas no câmbio enquanto perdurassem as incertezas no mercado internacional. Os Estados Unidos precisam elevar o teto da dívida até 2 de agosto para evitar um calote.

O tesoureiro de um banco dealer de câmbio, que preferiu não ser identificado, disse que a incerteza a respeito de um calote dos Estados Unidos chega a tal ponto que torna possível uma valorização adicional da moeda brasileira.

"Muita gente já vê o Brasil como reserva de valor", disse, ressalvando que o cenário ainda é de difícil previsão.

(Edição de Aluísio Alves)

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