Dólar fica estável ante real com baixa liquidez e Tombini

O dólar encerrou estável frente ao real nesta sexta-feira, acima de 2 reais, em um pregão com baixa liquidez e também marcado pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que afirmou que a autoridade monetária pode voltar a intervir em caso de volatilidade excessiva.

BRUNO FEDEROWSKI, Reuters

22 de março de 2013 | 18h08

Com isso, a luz amarela entre os investidores continuou acesa, sob a expectativa de que a autoridade monetária possa entrar no mercado em breve.

O dólar fechou estável em 2,0110 real na venda, após atingir alta de 0,47 por cento, a 2,0205 reais na venda, na máxima do dia. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 2 bilhões de dólares.

"O mercado segurou depois que o Tombini afirmou que o BC pode atuar para minimizar a volatilidade do dólar", afirmou o economista-chefe do BGC Liquidez, Alfredo Barbutti.

O presidente do BC afirmou nesta sexta-feira que, embora o câmbio no Brasil seja flexível, a autoridade monetária está disposta a entrar no mercado para corrigir distorções de liquidez, citando como exemplo ações no mercado futuro.

As declarações alimentaram cautela entre os investidores, que temem que o BC possa atuar para evitar mais altas na moeda norte-americana. Boa parte do mercado acredita que a instituição estabeleceu uma banda informal entre 1,95 e 2 reais para conter pressões inflacionárias e baratear importações de bens de capital.

Durante grande parte da sessão, o dólar foi negociado com alta, numa sessão onde a liquidez foi baixa. Dados do BC mostraram que o fluxo cambial está negativo em 726 milhões de dólares em março até o dia 20. Até o dia 15, o fluxo estava negativo em 990 milhões de dólares, mostrando que, nesta semana, houve alguma entrada líquida de divisas.

"Está faltando dólar no mercado desde dezembro", afirmou o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca. "E aí veio a surpresa do Chipre", acrescentou, referindo-se à crise financeira da ilha do Mediterrâneo, que impulsionava um movimento de aversão ao risco desde o início da semana.

A busca por dólares, que é considerado um ativo mais seguro, vinha crescendo em todo o mundo com os temores de que o Chipre não consiga cumprir as exigências da União Europeia para receber um pacote de ajuda de 10 bilhões de euros. A ilha tem agora até segunda-feira para encontrar uma solução para a crise.

Apesar da pressão, especialistas ainda acreditam que o dólar deve perder força ante o real porque, no atual patamar, fica atraente para exportadores, o que poderia aumentar a entrada de divisas no país.

"A tendência aqui é que, no médio prazo, o dólar retorne a patamares abaixo de 2 reais", disse o economista da H. Commcor Waldir Kiel.

(Reportagem adicional de Natália Cacioli)

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