Dólar sobe 0,07%, com mercado ainda de olho no BC

O dólar fechou em leve alta ante o real nesta quarta-feira, com o mercado ainda atento ao Banco Central, que atuou na véspera para impedir que a moeda norte-americana caia abaixo de 2 reais.

DANIELLE FONSECA, Reuters

22 de agosto de 2012 | 18h28

O dólar encerrou o dia com valorização de 0,07 por cento, a 2,0191 reais na venda. Durante o dia, a moeda oscilou entre 2,0160 e 2,0235 reais.

A variação também foi pequena porque, segundo alguns operadores, a ata do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, indicou que a autoridade monetária pode lançar outra rodada de estímulo monetário em breve.

"Acho que o movimento do dólar ante o real pode ser semelhante nos próximos dias, subindo um pouco e em torno dos 2,02 reais", disse o economista da Link Investimentos Thiago Carlos.

"A ata do Fed pesou um pouco hoje para não ter mais valorização do dólar, mas sabemos que o BC pode atuar próximo dos 2 reais. Há esse piso e ocorre uma pressão natural de alta por conta disso", acrescentou o economista.

A autoridade monetária brasileira voltou a intervir no mercado de câmbio na terça-feira, por meio de um leilão de swap cambial reverso --equivalente a uma compra de dólares no mercado futuro--, operação que não fazia há quase cinco meses e que segurou o dólar acima dos 2 reais.

Operadores dizem acreditar que, ao oferecer 50 mil contratos de swap reverso --apesar de ter vendido apenas 7 mil--, o BC ainda reforçou a banda informal do dólar entre 2 e 2,10 reais, estabelecida após declarações de autoridades do governo e de atuações anteriores da autoridade monetária.

O economista Carlos não descarta novas atuações do BC por meio de swap reverso, e lembra ainda que o banco pode também não rolar os contratos de swap cambial tradicional que vencem no próximo dia 3, no valor de 4,6 bilhões de dólares.

"Se o dólar voltar a cair ou tiver um movimento um pouco mais forte, principalmente com um anúncio de um quantitative easing, nada impede que o BC atue de novo", afirmou.

Há expectativa de que o Fed dará continuidade a seu programa de compra de ativos, chamado também de "quantitative easing", aumentou depois que o banco apontou que pode adotar ações de estímulo monetário em breve, na ata do encontro de agosto do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) da entidade, e que foi divulgada nesta quarta-feira.

Após a ata, o dólar acentuou o movimento de queda ante outras moedas e o euro atingiu seu maior nível em sete semanas.

Às 17h44, o euro tinha alta de 0,42 por cento ante o dólar. A moeda norte-americana registrava ainda uma queda de 0,47 por cento frente a uma cesta de divisas.

(Reportagem de Danielle Fonseca)

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