Dólar sobe 0,36% ante real com baixo volume e Tombini

O dólar fechou em alta frente ao real pela segunda sessão consecutiva nesta terça-feira, em um pregão de volume reduzido e após o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reafirmar que autoridade monetária vai agir para mitigar o excesso de volatilidade nos mercados de câmbio.

BRUNO FEDEROWSKI, Reuters

12 de março de 2013 | 17h38

A declaração sugeriu que a autoridade monetária não permitirá que a moeda norte-americana caia muito, apesar da expectativa dos agentes econômicos sobre fluxos cambiais positivos nas próximas semanas.

O dólar avançou 0,36 por cento, para 1,9640 real na venda. Na véspera, o BC interveio no mercado para interromper sequência de quedas da moeda norte-americana e que a havia levado para abaixo de 1,95 real, que acabou fechando em alta de 0,51 por cento.

Segundo dados da BM&F, o volume contratado ficou em torno de 2,336 bilhões de dólares neste pregão, abaixo do giro financeiro médio da semana passada, de cerca de 3 bilhões de dólares.

"Depois que o Tombini disse que não quer um mercado muito volátil, o dólar avançou um pouquinho", disse o operador de câmbio da Intercam Corretora de Câmbio Glauber Romano. "Na carência de informações nos Estados Unidos, o mercado acabou seguindo essa tendência".

Em apresentação em Varsóvia, na Polônia, Tombini afirmou que o mercado flexível é a primeira linha de defesa na presença de choques, acrescentando que o BC fornecerá liquidez aos mercados cambiais para conter a volatilidade.

Segundo Romano, as declarações reforçaram a interpretação de que o nível de 1,95 é o patamar mais baixo tolerado pelo governo para a divisa norte-americana.

"O piso ficou realmente marcado depois da atuação deles (BC) de ontem", afirmou.

O BC voltou a atuar no mercado na segunda-feira por meio de leilão de swap cambial reverso --contrato derivativo equivalente a uma compra de dólares no mercado futuro-- após o dólar recuar abaixo do patamar de 1,95 real.

Em fevereiro, o BC fez outras duas operações do mesmo tipo quando a moeda norte-americana ameaçou romper esse patamar, já sinalizando a defesa do piso. O movimento havia sido impulsionado por interpretações de que o governo usaria o dólar mais fraco para conter pressões inflacionárias.

Segundo analistas, a tendência é que o mercado volte a testar patamares mais baixos para a moeda, pressionado pela perspectiva de maior entrada de divisas estrangeiras no país, devido à safra agrícola e expectativa de alta da Selic, o que atrairia investidores estrangeiros para ativos no país. Entretanto, a vigilância do BC deve segurar a volatilidade.

"Eu acho que o fluxo pode levar a uma queda, mas independentemente disso, com o BC atuando nesse patamar, os bancos vão agir com mais cautela", disse o operador de câmbio da B&T Corretora Marcos Trabbold.

Embora o fluxo cambial --balanço de entrada e saída de divisas estrangeiras do país-- tenha fechado fevereiro negativo em 105 milhões de dólares, a última semana do mês mostrou uma melhora expressiva, com entrada líquida de 3,151 bilhões de dólares.

(Reportagem adicional de Natália Cacioli)

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