Dólar sobe 0,36%, volta ao patamar de R$1,97, com cenário externo

O dólar encerrou em alta pela terceira sessão consecutiva nesta quarta-feira, em linha com os mercados internacionais e voltando ao patamar de 1,97 real, após dados econômicos fracos sobre a zona do euro alimentarem a demanda por ativos considerados mais seguros, como a moeda norte-americana.

BRUNO FEDEROWSKI, Reuters

13 de março de 2013 | 18h00

O dólar encerrou o dia com valorização de 0,36 por cento, a 1,9710 real na venda.

Com a oscilação desta quarta-feira, a moeda norte-americana acumulou alta de 1,23 por cento frente ao real na semana, afastando-se do nível de 1,95 real considerado por boa parte do mercado como o piso informal definido pelo governo. Na sexta-feira, o dólar havia encerrado abaixo desse patamar pela primeira vez em 10 meses.

"É um movimento global de valorização do dólar diante desses números", afirmou o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flavio Serrano.

Os custos de financiamento italianos atingiram a máxima desde dezembro, na primeira oferta de dívida do país após a agência de classificação de risco Fitch rebaixar o rating da Itália em meio ao impasse eleitoral no país.

Além disso, a produção industrial da zona do euro registrou queda maior do que o esperado em janeiro, no mais recente sinal de que o bloco está enfrentando dificuldades para sair da recessão.

Os números alimentaram a demanda por ativos de menor risco, como o dólar, nos mercados financeiros globais. Às 17h30 (horário de Brasília), a moeda norte-americana tinha alta de 0,37 por cento frente a uma cesta de divisas. Já o euro tinha queda de 0,60 por cento em relação ao dólar.

"Os mercados internacionais não estão muito bem. E, aqui, também estamos vendo saída de fluxo", afirmou o diretor de câmbio da corretora Fair, Mário Battistel.

Na semana passada, mostrou o Banco Central nesta quarta-feira, o fluxo cambial ficou negativo em 785 milhões de dólares.

Durante a tarde, o dólar ampliou a alta e chegou a subir 0,78 por cento, a 1,9794 real na máxima do dia, impulsionado por rumores de que uma agência de classificação de risco rebaixaria o rating do Brasil, mas o movimento perdeu força em seguida.

As agências Moody's e Standard & Poor's negaram que planejavam rebaixar a classificação da dívida brasileira, enquanto a Fitch negou-se a comentar o assunto. As três agências atribuem rating de grau de investimento ao Brasil.

"Essa aceleração à tarde foi só aquela boataria, mesmo", resumiu o operador de câmbio da Renascença José Carlos Amado.

Apesar das altas na três sessões, o mercado acredita que a tendência do dólar ainda é de queda ante o real, com a expectativa de mais entradas de capitais nas próximas semanas por causa, entre outros, da possibilidade de alta da Selic, o que atrairia mais recursos de fora ao país.

Além disso, os operadores lembram que a vigilância do BC continua sobre o mercado, e de que a banda informal para a moeda norte-americana --entre 1,95 e 2 reais-- continua valendo.

"O mercado vai trabalhar totalmente dentro de notícias, dentro do espaço delimitado pelo Banco Central", afirmou Amado.

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