Dólar sobe 8,2%. E lidera investimentos

O mau humor que tomou conta do mercado financeiro global neste início de ano fez o dólar subir 8,15% em janeiro, maior alta mensal desde outubro de 2008. Ontem, a moeda fechou a R$ 1,885. Com o desempenho, liderou o ranking de investimentos no período, seguida pelo ouro, com ganhos de 6,45%. Na contramão, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) perdeu 4,65% e ficou na rabeira do levantamento.

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

30 de janeiro de 2010 | 00h00

Analistas dizem que dois fatores - interligados - explicam o desempenho dos principais ativos financeiros do País neste começo de 2010: o aumento da chamada aversão ao risco no mundo, que pegou os preços brasileiros em níveis elevados. No ano passado, tanto o Ibovespa quanto o real lideraram os rankings das maiores valorizações de bolsa de valores e de moeda no planeta.

No momento, os profissionais de mercado se debruçam sobre vários indicadores para tentar identificar se a queda da bolsa e a alta do dólar configuram uma reversão da tendência positiva para o Brasil ou se significa apenas um movimento de realização de lucros (quando os investidores vendem ativos depois de acumularem expressivas altas).

"Por ora, não vejo fundamentos que justifiquem uma mudança estrutural na avaliação sobre o Brasil", afirmou a economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli. "Mas isso pode mudar a qualquer momento." Ela classificou de "exagero" a queda do real em janeiro.

O vice-presidente de Tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, também avalia que, por enquanto, ocorre uma realização de lucros. "A valorização dos ativos brasileiros no ano passado já havia criado as condições para uma realização, que, diante de alguns fatos recentes da economia global, aconteceu", disse. "Temos indícios de que esse movimento já está perto do fim."

Folchini refere-se a questões como a tentativa do governo da China de desacelerar o ritmo de crescimento econômico por meio da alta das taxas de juros, as propostas do governo Barack Obama para alterar as regras do sistema bancário e a crise fiscal de alguns países europeus, sobretudo da Grécia.

Todos esses temores já fizeram os investidores estrangeiros tirarem R$ 2,5 bilhões da Bovespa entre os dias 20 e 27 de janeiro. Até a última quarta-feira, esses investidores venderam o equivalente a R$ 33,6 bilhões em ações brasileiras e compraram R$ 31,6 bilhões.

Especificamente em relação ao mercado de câmbio, os analistas ponderam que dois fatores empurram a moeda brasileira para baixo: a valorização do dólar no mundo, em decorrência das expectativas melhores para a economia americana do que para a europeia, e o aumento expressivo do déficit em conta corrente do Brasil.

Ontem, o euro chegou a ser cotado por menos de US$ 1,39 pela primeira vez desde julho do ano passado. Para especialistas, a tendência é de novas quedas.

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