Dólar sobe pela 6a sessão e toca R$1,99, pressionado por Chipre

O dólar fechou esta segunda-feira em alta frente ao real pela sexta sessão consecutiva, após o plano de resgate do Chipre, que envolve a taxação de depósitos bancários, reacender temores sobre a zona do euro e aumentar a demanda por ativos considerados mais seguros, como a moeda norte-americana.

BRUNO FEDEROWSKI, Reuters

18 de março de 2013 | 18h00

O dólar fechou em alta de 0,35 por cento, a 1,9890 real na venda, após flertar durante a tarde com o nível de 1,99 real. Na máxima da sessão, a moeda chegou a subir 0,45 por cento, a 1,9910 real.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 2,8 bilhões de dólares.

"O pacto de ajuda costurado para o Chipre não agradou os investidores, (...) o que está elevando a aversão ao risco lá fora, levando as moedas a se desvalorizarem frente ao dólar", afirmou o estrategista-chefe do banco WestLB do Brasil, Luciano Rostagno.

O parlamento cipriota votará na terça-feira um plano de resgate que inclui a taxação dos depósitos bancários no país. Embora autoridades europeias tenham afirmado que a medida afetará apenas a ilha, investidores temem que o plano abra um precedente para que decisões semelhantes sejam tomadas por outras economias da zona do euro.

O anúncio, realizado no fim de semana, derrubou o ânimo nos mercados internacionais, levando as bolsas europeias e norte-americanas a encerrarem em queda e elevando as cotações do dólar nos mercados internacionais. Contra uma cesta de divisas, a moeda norte-americana registrava alta de 0,44 por cento às 17h41, no horário de Brasília.

ATENTO AO BC

Analistas afirmavam, no entanto, que o fortalecimento do dólar ante o real não deve perdurar, já que a perspectiva de eventuais intervenções do Banco Central deve segurar as cotações da divisa norte-americana.

Intervenções do BC nos mercados de câmbio levaram boa parte do mercado a interpretar que o governo impôs uma banda informal entre os níveis de 1,95 real e 2 reais para o dólar com o objetivo de conter pressões inflacionárias e baratear os custos de bens de capital importados.

A moeda norte-americana flertou durante a sessão com o patamar de 1,99 real, após oscilar nas últimas semanas próximo à extremidade inferior dessa banda. De acordo com operadores, a moeda norte-americana deve voltar a patamares mais confortáveis já nas próximas sessões.

"Hoje foi um dia que deve ser tirado da conta, em função de que foi bem atípico", disse o superintendente de câmbio da Intercam Corretora de Câmbio, Jaime Ferreira. "Eu acho que deve voltar ao patamar de 1,97 real, não deve haver muita pressão".

O mercado continua vendo tendência de fortalecimento do real no médio prazo, devido à perspectiva de maior entrada de recursos no país graças à expectativa de aumento da Selic e do escoamento da safra agrícola.

"A tendência primária continua sendo de valorização do real, então se não acontecer nada lá fora, a tendência é que ele busque patamares mais baixos", completou Rostagno, do WestLB.

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