Imagem Luiz Horta
Colunista
Luiz Horta
Conteúdo Exclusivo para Assinante

D.O.M. é o melhor sul-americano, segundo 'Restaurant'

Restaurante passa de 40.º a 24.º em ranking liderado por El Bulli

Luiz Horta,

21 Abril 2009 | 14h47

A revista inglesa Restaurant, cuja lista anual dos melhores do mundo dá sempre muita discussão, divulgou sua relação 2009 na presença de quase todos os chefs mencionados. A festa foi nesta segunda, em Londres. A premiação, espécie de Oscar dos restaurantes, existe desde 2002. Mesmo girando em torno de alguns nomes de sempre no assunto da alta gastronomia, como os espanhóis e franceses triestrelados, há diversas surpresas. O D.O.M., de Alex Atala deu um salto, passando da 40ª para 24ª posição e sendo eleito, simultaneamente, melhor restaurante da América do Sul. O Alinea, de Chicago, domínio de Grant Achatz, um dos chefs mais celebrados do momento, subiu 11 posições, passando a ser o 10º do mundo. Mas o mais notável destaque é o pequeno restaurante Noma, de Copenhague. O chef René Redzepi faz cozinha nórdica contemporânea, com grande ênfase nos produtos do terroir local: os peixes, as frutas vermelhas silvestres e a vasta e desconhecida gama de cogumelos dinamarqueses. O Noma, que nem sequer figurava dois anos atrás na lista, subiu para terceiro lugar, atrás somente dos pesos pesados Fat Duck (de Heston Blumenthal) e El Bulli (de Ferran Adrià). E com ele entra o sueco Mathias Dahlgren e sobe o também sueco Oaxen Skärgårdskrog (para 32ª posição), todos do movimento da New Nordic Cuisine. Blumenthal e Adrià repetem a lista do ano passado, mantendo-se em segundo e primeiro, respectivamente. Os problemas de Blumenthal com uma contaminação suspeita que deixou seu restaurante fechado por um mês não afetaram sua posição de ícone contemporâneo na Inglaterra. Outras oscilações dignas de menção: a subida do catalão Celler de Can Roca de 26º para 5º, uma acelerada de 21 posições (a maior da lista), e a entrada da Osteria Francescana, de Massimo Bottura, que estreia com a admirável posição de 13º melhor restaurante do mundo. Os brasileiros terão oportunidade de revê-lo no Laboratório Paladar, em junho, quando visitará São Paulo. Lá estará também o quarto do mundo dessa seleção, Andoni Luis, do Mugaritz. Mais novidades são o Momofuku Ssäm Bar, de David Chang, em Nova York, e o Steirereck, de Viena. No aspecto "do chão não passa", ninguém supera o tombo de 28 posições que levou o afamado Le Louis XV, de Alain Ducasse: despencou para a 43ª posição, um baque considerável. Ducasse ainda teve de amargar a homenagem como Personalidade de Destaque ao seu cordial rival, Joël Robuchon. Mas, mesmo homenageado, Robuchon baixou quatro posições com seu parisiense L’Atelier (atual 18º). Parece que o pêndulo do gosto oscila, neste ano, entre os nórdicos e americanos, com paradas na Espanha e na Inglaterra. Agora, é só a tradicional discussão sobre critérios, injustiças e omissões, trufas e foie, a versão gastronômica para o papo de boteco do futebol. BOM MARKETING O sobe e desce do ranking revela mais do que uma mudança na qualidade da gastronomia desses restaurantes, segundo especialistas. O D.O.M, por exemplo, é visto como um restaurante que também sabe fazer muito bem o seu marketing. Já Maurizio Remmert, empresário e gourmet, chama atenção para o fato de Atala ter preocupação com o sabor e a tradição dos ingredientes. "Não vou lá só para fazer uma degustação teórica, com espumas e perfumes. Ali eu mastigo coisas de verdade." Colaborou Valéria França

Mais conteúdo sobre:
Restaurant Alex Atala D.O.M

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.