Dona perfumada

Quem nunca se regalou com manga? A exuberante rainha dos pomares é fetiche para chefs, garimpeiros de feira e amigos de quintais. No Brasil, Luiz Carlos Gabriel cultiva 226 tipos. A manga nem daqui é, mas, na hora de lambuzar os beiços, quem liga?

Giovanna Tucci,

12 Novembro 2009 | 10h39

Perfumada que só ela, a manga é o tipo de fruta que se faz notar. A começar pela sua árvore, frondosa, monumental, imponente. Impossível passar ao lado de um pé sem ser perseguido por aquele cheiro adocicado. Tão impossível quanto abocanhar uma manga sem empestear os dentes com seus fiapos. Essa poderosa dominadora de pomares (e narizes) de todo o País é exótica para nós, brasileiros. Nativa do Sul da Ásia, mais precisamente da Índia, a Mangifera indica L. foi trazida pelos portugueses no início do século 17, mas adaptou-se tão bem ao clima tropical (e ao nosso paladar) que hoje é mais brasileira que muitas frutas daqui. Estima-se que na Índia existam mais de mil variedades. No Brasil, só num pequeno sítio de um médico aposentado apaixonado pela fruta há 226 tipos (veja aqui). Contribui para essa multiplicidade o crescente surgimento de híbridos, obtidos em laboratórios pelo cruzamentos de espécies, para buscar mangas mais resistentes às pragas, mais doces e menos fibrosas. É o caso da tommy atkins, a mais comercializada de todas. Criada nos EUA na década de 40, é "filha" de outra variedade dominante em nosso mercado, a haden. As duas se tornaram mais populares aqui do que nacionais de peso, como a rosa e a espada – estas ainda é possível achar na Ceagesp, no Natural da Terra Hortifruti ou no supermercado Chama. Mas existem algumas que, infelizmente, você só encontra no sítio da família, como a manga manteiga. Pela fragilidade, esta e outras variedades não são interessantes do ponto de vista comercial. Veja também: Aprenda o passo a passo com o chef Thiago Bettin Ferran Adrià: 'Tenho uma queda por manga' São 226 pés. E pasmem: todos para uma pessoa só Na tailândia, é parceira do arroz doce Chutney: manga, liquidificador e... pimenta? Índia: manga em todos os lugares  Receita de chutney de manga  Receita de foie gras com manga  Receita de marinada de manga com surubim e tapioca  Receita de manga grelhada com maracujá  Receita de terrina de chocolate branco e manga No ano passado, o Brasil produziu mais de 1 milhão de toneladas de manga, o que nos fez o terceiro maior exportador. Ficamos atrás da Índia e do México, segundo Cloves Ribeiro Neto, engenheiro agrônomo do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf). O Estado líder da produção é Pernambuco, que forma a tríade da manga com Bahia e São Paulo.   ENROLADA - Cortada fininha, com surubim e tapioca, de Mara Salles Ingrediente com jogo de cintura, a manga vai bem in natura, com sal, desidratada, caramelizada, grelhada... No Nordeste, é apreciada ainda verde, fatiada e com sal. É também com a verde, "bem verde", frisa a indiana Meeta Ravindra, que se faz chutney. A manga está no início, no meio e na última página dos cardápios de vários restaurantes. É a estrela de entradas, como a bela marinada que Mara Salles já serviu no Tordesilhas. Em sua brasserie, o chef Erick Jacquin fez uma mistura franco-indiana colocando, no mesmo prato, manga caramelada e foie gras, combinação que, aliás, o catalão Ferran Adrià adora (veja aqui). Lá do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, Francesco Carli, do Cipriani, preparou uma versão achocolatada que Alex Atala diz ter sido o melhor doce com manga que já provou na vida. Essas e outras receitas com a fruta estão em nos links desta matéria. PAR PERFEITO - Grelhada, com foie gras, de Erick Jacquin Estamos a um passo do verão, é tempo de manga. Nós já a esprememos até o caroço – você decide o que fazer com o suco. MANGA COM LEITE FAZ MAL? Não, isso é um mito. Foi criado pelos fazendeiros brasileiros na época da escravidão para fazer com que os escravos não misturassem manga – à época, uma fruta nobre – com o leite que usualmente recebiam. "Os nutrientes da manga e do leite combinados não fazem mal à saúde", garante a nutricionista Andréa Andrade, da RG Nutri.   Rosa | Das mais tradicionais mangas brasileiras, é rústica e tem quantidade razoável de fibras. Melhor comer in natura.   Espada | Brasileira fibrosa e muito doce, rende bons molhos. Mangas fibrosas são boas também para comer desidratadas.   Haden | Deu origem à tommy atkins. Americana, é doce e tem poucas fibras. A mais comum do mercado.   Bourbon | Variedade muito antiga, é saborosa e tem polpa fibrosa. Como a polpa é delicada, evite usá-la para cortes.   Coquinho | Pequenina, tem pouca carne. É uma manga para tirar a pele com os dentes e chupar, sem frescura.   Palmer | Americana, originária da Flórida. Docinha, de sabor suave. Dica: faça um furinho e tome o suco direto da manga.

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