Dos desaparecidos no Rio em um ano, 71% 'reapareceram'; 6,8% morreram

Pesquisa inédita sobre registros de pessoas desaparecidas no Estado do Rio em 2007 indica que 6,8% morreram e 14,7% "não reapareceram". Foi selecionada para o estudo uma amostra de 456 (10,3%) dos 4.423 casos de desaparecimento registrados no banco de dados da Polícia Civil em 2007. Para o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o resultado "desmistifica uma série de questões que eram levantadas" em relação ao grande número de desaparecidos no Rio.

Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

11 Dezembro 2009 | 00h00

"Se tivermos de incluir os desaparecidos no total de homicídios, é um número muito pequeno, quase insignificante. Num primeiro momento, é a análise mais importante para nós", disse. A pesquisa foi pedida por Beltrame no fim do ano passado ao Instituto de Segurança Pública (ISP), vinculado à secretaria. Em 2008, 5.095 desaparecimentos foram registrados nas delegacias do Estado.

Das 31 mortes apuradas pelos pesquisadores entre os 456 registros de 2007, 13 foram consideradas naturais ou acidentais e 18, homicídios dolosos. Nove pesquisadores trabalharam desde agosto na checagem dos desaparecimentos, por meio de entrevistas com as pessoas que fizeram os registros ou os responsáveis pelas vítimas.

MOTIVOS

A maioria (61%) era homem e tinha de 10 a 19 anos (33%). A motivação mais apontada para o desaparecimento foi "fuga" (17,4%), depois "distúrbio mental" (15%) e, em terceiro, "causas violentas" (12,9%).

"Os menores fogem de casa, depois não têm mais onde ficar e acabam voltando por necessidade econômica", disse a cientista social Vanessa Campagnac, responsável pela pesquisa. Apesar de o estudo ter verificado que 71% dos 456 reapareceram, apenas 84 casos foram registrados na Polícia Civil. O número representa 2% do total de desaparecimentos do ano de 2007. "É falta de cidadania não fazer o registro (de reaparecimento)", disse Beltrame. P

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