Duas novas pragas chegam ao eucalipto

Percevejo bronzeado e vespa-da-galha, insetos originários da Austrália, foram detectados em SP e na Bahia

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2008 | 02h50

Vêm da Austrália duas novas pragas que podem causar prejuízos em áreas de plantio de eucalipto da espécie E. camaldulensis no País. Uma delas, o percevejo bronzeado, foi detectado, em maio, no Rio Grande do Sul e no fim de junho em São Paulo. "O ponto inicial do percevejo foi Jaguariúna", diz o professor Carlos Frederico Wilcken, da Unesp de Botucatu (SP).O percevejo bronzeado - que causa desfolha e deixa o galho escuro, com aspecto "bronzeado" - já está em 18 municípios, como Campinas, Sorocaba, Botucatu e Bauru. "A disseminação é rápida. A praga percorre de 40 a 50 quilômetros por semana." O inseto é encontrado em rodovias, o que indica que a disseminação esteja sendo facilitada por caminhões, diz Wilcken, acrescentando que, provavelmente, a praga foi introduzida no País por aeroportos, por plantas trazidas ilegalmente.Como a praga é recente, métodos de controle estão sendo estudados. A opção de controle natural é uma vespa, já usada na África do Sul, que parasita os ovos do inseto. "Estamos avaliando o uso no Brasil." Há, ainda, inseticidas biológicos, à base de fungos, diz o professor.A outra praga é a vespa-da-galha, identificada em março, no norte da Bahia. Conforme Wilcken, foi o primeiro registro do inseto na América do Sul. "Essa vespa, de 1 milímetro de comprimento, pica as folhas novas, de ponteiro, e forma a galha, uma espécie de tumor. A larva se instala, deforma os ramos, seca o ponteiro da árvore e paralisa seu crescimento", explica. As plantas infestadas na Bahia foram cortadas e queimadas. "Estamos verificando se a praga está ou não sob controle."Ainda não existe controle da vespa-da-galha. "Se ela atacar, serão trazidos inimigos naturais e selecionados inseticidas químicos", adianta o professor. Em relação à entrada da praga no País, é provável que tenha sido também por aeroportos. "Pode ter vindo com pedaços de ramos, ilegamente, ou acidentalmente, na bagagem de visitantes."Aos produtores que suspeitarem da presença de um dos insetos, Wilcken recomenda comunicar pelo e-mail lcbpf@fca.unesp.br. No site também há informações sobre as pragas.

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