Duque diz que Conselho não fará reunião de emergência

O presidente do Conselho de Ética do Senado, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), disse hoje que, apesar dos apelos dos senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF), não irá convocar reunião de emergência entre os conselheiros durante o recesso parlamentar. "As pessoas estão em seus Estados, alguns senadores estão fora do País. Não tenho como convocar 15 pessoas para se reunirem durante o recesso. Nem todos vêm, nem todos podem vir. Além disso, não há previsão regimental para fazer isso", justificou o senador, que passa o recesso no Rio de Janeiro.

CAROL PIRES, Agencia Estado

23 Julho 2009 | 17h55

Paulo Duque não quis comentar a reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, que revelou diálogos gravados pela Polícia Federal em que Sarney aparece negociando um emprego no Senado para o namorado de sua neta, que acabou contratado por um ato secreto, sem concurso. O senador explicou que não pode fazer juízo de valor sobre o caso. "Não posso dizer porque ainda não analisei com atenção, e não posso dizer na condição de presidente. Não posso prejulgar", disse.

Na condição de presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque tem a prerrogativa de arquivar sumariamente as denúncias contra Sarney sem levar a decisão para análise dos demais conselheiros. A estratégia do PMDB, ao indicar Duque para conduzir o Conselho, foi a de minar qualquer possibilidade de abertura de processo contra o presidente do Senado. Caso Duque consulte a Comissão sobre os processos, a base aliada terá condições de barrá-los, pois é dona de dez das 15 vagas.

Sarney é alvo de quatro denúncias registradas pelo líder tucano Arthur Virgílio (AM) e também de uma representação apresentada pelo PSOL. Pesa contra o peemedebista a suspeita de responsabilidade pela edição de atos secretos, que foram usados para contratar parentes de senadores, e a possível participação em um esquema de desvio de dinheiro de patrocínio cultural dado pela Petrobras à Fundação José Sarney.

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