''É bobagem ter medo de um Estado forte''

Lula descarta redução de tributos

Débora Thomé e Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

23 Dezembro 2009 | 00h00

Tentando fazer as pazes com o setor exportador, com quem andava estremecido desde que declarou a preferência pelo desenvolvimento do mercado interno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fechou a agenda lotada de eventos na segunda-feira, no Rio de Janeiro, em um jantar da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex). No pronunciamento, que começou perto da meia-noite, Lula frisou aos empresários que não pensa em reduzir os impostos.

"Vou deixar claro para vocês: não imaginem um país com carga tributária fraca. Não tem um país do mundo em que o Estado possa fazer alguma coisa que não tenha uma carga tributária razoável", afirmou o presidente.

Apesar de os atos do governo demonstrarem opções nessa linha, raras vezes Lula foi tão enfático. A crise, disse, deixou claro que é necessário um Estado atuante. "É bobagem alguém ter medo de um Estado forte. O Estado não pode ser intruso, é diferente. O Estado não pode querer ser gestor, mas tem que ser indutor e fiscalizador de muitas coisas; a crise mostrou isso."

De acordo com o presidente, nesse quadro é necessário escolher como se quer arrecadar: "Ou cobra na produção ou cobra no Imposto de Renda", afirmou.

Enquanto desagradava aos empresários ao falar dos tributos, Lula tentou compensar, em certa medida, dizendo-se preocupado com outro tema fundamental para as exportações: o câmbio.

O presidente lembrou que o governo tem tentado fazer a sua parte: "Criamos o IOF para criar essa dificuldade. Agora, se o câmbio é livre, eu não posso fazer nada. Ele vai flutuar mesmo. Nós temos é que adotar todos os mecanismos necessários para dar a chance de competir com qualquer país".

Ainda no discurso, o presidente chamou atenção para a competição com a China. Contou que pediu ao presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, um estudo para entender por que produtos chineses chegam aqui pela metade do preço.

"Eu quero que os navios da Vale do Rio Doce sejam feitos no Brasil. Para isso, o preço do estaleiro brasileiro tem que ser, no mínimo, próximo; não pode ser o dobro". Disse que, se o preço for o dobro, é natural que prevaleça o "interesse empresarial".

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