E os Chablis resistiram à heresia...

Em viagem intensa, como fiz à Borgonha, sempre tem o dia em que vem a exaustão. Não tem dia certo, o velocímetro interno cai de repente. Na noite em que ia jantar com Christian Moreau, pifei. Fiquei sem conhecer o grande produtor e, dizem, inestimável anfitrião. Mas conheci os vinhos, que deixaram no hotel, já abertos. Como estava de parafuso solto não provei no dia, uma heresia. No dia seguinte, mais maratona, e aquelas garrafas de Chablis abertas na mesa do quarto, apontando minha culpa por não dar atenção a elas.

Luiz Horta,

25 Julho 2013 | 02h18

Foi só mais de 24 horas depois de abertas que consegui. Sentei e provei. E foi um espanto atrás do outro. Tive grandes garrafas em Chablis (e na Borgonha toda, como contei nas semanas anteriores). Mas como conjunto da obra, Christian Moreau foi o campeão. Ia e vinha entre as amostras e cada vez me surpreendia mais.

Foi o Domaine que me deu mais prazer de provar (e beber, dei uma goladas, admito). No fim, a arrumadeira do hotel deve ter pensado coisas do pacato senhor que em uma noite deixou cinco garrafas na lixeira.

Os Moreaus (também conheci o primo, do Domaine Louis Moreau, aqui falo do Domaine Christian Moreau Pére et Fils) possuem 15 hectares bem privilegiados, sendo um deles monópole. Quer dizer, são donos de um vinhedo só deles, coisa raríssima na Borgonha, o Les Clos, dentro do vinhedo do Clos des Hospices, os vinhedos dos Hospices de Chablis. Chablis possui sua santa casa, que acabou juntando vinhedos por doação e pagamento. Por serem terras de primeira qualidade, são classificadas como Grand Cru. E os Moreaus possuem um pedaço dentro desse torrão.

Os vinhos que provei, com os preços no Brasil, todos importados pela Premium Wines (tel.2574-8303), foram:

Chablis Grand Cru Vaudésir 2011 (R$ 370). Pimenta-branca no aroma, leve madeira.Na boca, uma delícia, grande estrutura, muito fino, elegante.

Chablis Grand Cru Les Clos 2011 (R$ 343). Fruta no nariz, boca delicada, sutileza e mineralidade, longo e refinado.

Chablis Grand Cru Valmur 2011 (não está ainda no Brasil). Nariz marinho, concha molhada, cítrico, boca mineral, aula de equilíbrio, um de meus prediletos. A importadora tem o 2006, imagino como estará com esses anos na garrafa (R$ 370).

Chablis Grand Cru Les Clos, Clos des Hospices 2011 (também ainda não disponível). Pouco sisudo, é um imenso lago branco de pedra, acidez suculenta, sensacional.

Chablis Grand Cru Les Clos, Clos des Hospices 2009 (R$ 494). O ano foi de muito calor na região. Os vinhos tendem a ser mais pesados e desequilibrados, mas o Moreau consegue sutileza, um vinho cheio de energia e eletricidade que se espera de Chablis, mostra um pouco mais de corpo que os demais, menos lapidado, mas ainda assim, cristal fino, arrancado de um verão duro. Muito bom.

E pensar que esses vinhos estiveram abertos num quarto de hotel por muitas horas!

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