Ebola ameaça seriamente a existência da Libéria, diz ministro

A existência nacional da Libéria está “seriamente ameaçada” pelo vírus mortal do Ebola, que está “se espalhando como fogo e devorando tudo em seu caminho”, disse o ministro da Defesa do país ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira.

MICHELLE NICHOLS, REUTERS

09 Setembro 2014 | 16h00

A Libéria é a nação do oeste africano mais atingida pela epidemia e provavelmente testemunhará milhares de casos novos nas próximas semanas, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na segunda-feira. Mais de mil pessoas já morreram da doença em solo liberiano.

“A Libéria está enfrentando uma ameaça séria à sua existência nacional. O vírus Ebola causou uma interrupção no funcionamento normal de nosso Estado”, declarou o ministro Brownie Samukai.

“Agora ele está se espalhando como fogo e devorando tudo em seu caminho. A infraestrutura já frágil do sistema de saúde do país foi sobrecarregada”, afirmou ele ao conselho de 15 membros, acrescentando que a reação internacional inicial “não foi nada robusta”.

A enviada especial da ONU para a Libéria, Karin Landgren, disse ao conselho que pelo menos 160 agentes de saúde liberianos contraíram a doença e que metade morreu. Ela descreveu a disseminação do Ebola como “implacável” e alertou que os casos relatados e as mortes na Libéria “subestimam o verdadeiro fardo do Ebola”.

“A velocidade e a escala da perda de vidas, e as reverberações econômicas, sociais, políticas e de segurança da crise estão afetando a Libéria profundamente”, declarou ela. “Os liberianos estão lidando com sua maior ameaça desde a guerra”, disse, referindo-se aos dois conflitos entre 1989 e 2003 que mataram cerca de 250 mil pessoas.

A OMS informou nesta terça-feira que registrou 4.293 casos do Ebola em cinco países do oeste da África até 6 de setembro e que ainda não tem novas cifras para a Libéria. O surto começou em março na Guiné e se espalhou para Libéria, Serra Leoa, Nigéria e Senegal.

Essa é a pior epidemia já registrada desde que a doença foi identificada, na República Democrática do Congo, em 1976, matando 2.296 pessoas.

"É imperativo que a comunidade internacional passe a lidar seriamente com os efeitos humanitários, de saúde pública e de segurança deste surto”, afirmou a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power.

“Não acho que alguém possa dizer neste momento que a reação internacional à epidemia de Ebola está sendo suficiente”, disse Power.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse planejar uma reunião a respeito da resposta global à crise do Ebola nos bastidores da Assembleia Geral da entidade no final deste mês.

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