Ebola pode matar 90 mil na Libéria até fim do ano, se ajuda não melhorar, diz estudo

Ebola pode matar 90 mil na Libéria até fim do ano, se ajuda não melhorar, diz estudo

Quase 4.900 mortes foram registradas em todo o oeste da África desde que a doença foi detectada na Guiné em março

MAGDALENA MIS, REUTERS

24 de outubro de 2014 | 11h45

Os esforços para controlar o vírus do Ebola na Libéria precisam ser ampliados rápida e dramaticamente, ou dezenas de milhares de pessoas morrerão nos próximos meses, revelou um estudo publicado nesta sexta-feira.

Quase 4.900 mortes foram registradas em todo o oeste da África desde que a doença foi detectada na Guiné em março, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS.

A Libéria foi o país mais afetado pelo vírus, com 2.705 mortes e 4.665 casos confirmados.

Sem uma intensificação nos esforços para deter a doença, o Ebola irá matar 90 mil pessoas na Libéria e infectar 171 mil até meados de dezembro, postulou um estudo no periódico The Lancet Infectious Diseases.

“Nossas previsões sublinham a janela de oportunidade, que se fecha rapidamente, para controlar o surto e evitar um saldo catastrófico de novos casos de Ebola e mortes nos próximos meses”, declarou Alison Galvani, uma das autoras da pesquisa, em um comunicado.

Instalações médicas adicionais para o tratamento da febre hemorrágica e um aumento de cinco vezes na detecção de novos casos, juntamente com a alocação de conjuntos de proteção para residências, poderiam evitar até 98 mil casos até o meio de dezembro, afirma o estudo.

Os pesquisadores basearam sua análise em um estudo do Condado de Montserrado, na Libéria, que abarca a capital Monróvia, onde a grande maioria dos casos foram registrados.

Sem uma expansão nas ações para frear a epidemia, o saldo nacional será ainda maior, disseram.

“A escala das intervenções sendo implementadas atualmente ainda é pífia em comparação com o que prevemos ser necessário”, afirmou Joseph Lewnard, outro autor da pesquisa, à Fundação Thomson Reuters em entrevista por telefone.

Os Estados Unidos prometeram 1.700 leitos a mais para centros de tratamento do Ebola na África Ocidental, mas 4.800 leitos podem ser necessários só para o Condado de Montserrado, disse Lewnard.

Até mesmo um atraso de duas semanas pode limitar imensamente a eficácia das intervenções e resultar em dezenas de milhares de mortes, afirmou.

Controlar o surto é especialmente difícil na favela de West Point, na Monróvia, onde mais de 75 mil pessoas vivem sem água potável, o que torna mais complicado implementar as recomendações da OMS para se lavar as mãos com água e sabão quando se cuida de familiares doentes.

Uma equipe de 51 médicos e enfermeiras de Cuba chegou à Libéria na quarta-feira para ajudar na luta contra a epidemia.

Os EUA também estão mobilizando soldados gradualmente em território liberiano como parte de uma missão de três mil pessoas para ajudar as nações do oeste africano assoladas pelo surto, construindo unidades de tratamento do Ebola e treinando agentes de saúde locais.

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