Sino Singapure
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Ecocidade quer ser verde e rentável

Tianjin, parceria entre China e Cingapura, busca energia renovável e transporte limpo

CLÁUDIA TREVISAN , ENVIADA ESPECIAL , ECOCIDADE DE TIANJIN, CHINA, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2012 | 03h04

Enquanto outros centros urbanos exibem monumentos e beleza natural como cartões postais, a ecocidade de Tianjin se orgulha das turbinas eólicas e das placas de energia solar, que ocupam suas ruas como estátuas em homenagem à sustentabilidade.

Com edifícios "verdes", emissões zero no transporte público, uso de energia renovável e um desenho que estimula a locomoção a pé ou por bicicleta, a ecocidade se propõe a ser um modelo para outras regiões da China, onde 300 milhões de pessoas deverão deixar o campo nos próximos 20 anos, no mais rápido processo de urbanização do mundo.

Projetada para ter 350 mil habitantes quando estiver pronta, em 2020, a cidade já tem ruas, ciclovias, centrais de geração de energia verde e parques para instalação de empresas. Canteiros de obras ocupam a maior parte de seus 30 km² e os primeiros edifícios residenciais começam a ser entregues. Nas últimas semanas, 60 famílias se mudaram para o local, que deverá ter 10 mil moradores no fim de 2013.

Tianjin é a maior das cerca de 20 ecocidades levantadas atualmente no país e a primeira construída em parceria pelos governos de China e Cingapura. A ideia é que ela seja comercialmente viável, regida pelo princípio da praticidade e possa ser replicada em maior ou menor escala.

"A cidade não se parece com algo futurista ou de ficção científica. As soluções que usamos, como a orientação dos prédios e ventilação natural, podem ser adotadas sem muito custo e têm grande impacto na redução do consumo de energia", disse o cingapuriano Ho Tong Yen, CEO da ecocidade de Tianjin. Na quinta-feira, Ho participará de um painel sobre ecocidades na Rio+20, ao lado de Richard Register, o primeiro a usar o termo, em 1987.

A meta é que 20% da energia consumida no projeto de Tianjin venha de fontes renováveis: eólica, solar e geotérmica. As ruas serão equipadas com 700 postes com painéis solares e miniturbinas que permitirão a geração de energia com o vento.

A cidade será cortada por um "vale ecológico" de 12 km de extensão, que terá ciclovias e pista para pedestres, ao lado das quais haverá uma linha de trem. Os condomínios não terão muros e serão cortados por "atalhos" para facilitar a locomoção a pé. A meta é que 90% dos deslocamentos sejam verdes, com transporte público, bicicleta ou a pé.

Ecocidadania. O grande desafio será garantir que os moradores da ecocidade também sejam ecocidadãos. Qualquer um poderá morar no local e ter carro não será proibido. Aliás, postos de abastecimento da estatal de petróleo Sinopec já estão sendo construídos nas margens das ruas. "Faremos campanhas de educação para provocar uma mudança de mentalidade para que as pessoas fiquem mais verdes com o passar do tempo", observou Ho.

A meta de 90% é ambiciosa. "Apenas algumas cidades em países desenvolvidos e em desenvolvimento possuem porcentuais de transporte verde de 70% ou mais", observa estudo do Banco Mundial sobre o projeto. E ter carro é uma das aspirações da emergente classe média chinesa, onde a proporção veículo/habitante é inferior à de países em semelhante estágio de desenvolvimento.

O projeto estabelece 26 indicadores que terão de ser atingidos, como a reciclagem de 60% do lixo doméstico e a existência de 12 m² de área verde por habitante já a partir de 2013. O desenho urbano prevê que os moradores terão serviços essenciais perto de casa, como escolas, postos de saúde, centros comunitários e comércio. Idealmente, deveriam trabalhar a curta distância, mas Ho reconhece que é difícil definir isso a priori, pois muitos dos compradores de imóveis têm empregos em outras regiões.

A expectativa é que a economia local forneça trabalho. "Seiscentas empresas já estão registradas para operar na cidade. Antes de termos moradores, nós teremos empregos", afirmou Ho.

Os empreendimentos residenciais e comerciais são feitos por empresas privadas, que compraram o direito de exploração da terra e vendem unidades a preço de mercado. Os projetos são construídos segundo os idealizadores da ecocidade e 100% dos edifícios são construídos na mesma direção, em um ângulo que otimiza o recebimento de luz solar. Além disso, devem ser eficientes do ponto de vista energético e ter 20% de fontes não tradicionais de água.

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