Economia do conhecimento obriga o debate do problema

Análise: Ilona Becskeházy

CONSULTORA EM EDUCAÇÃO, MESTRANDA EM EDUCAÇÃO NA PUC, EX-DIRETORA DA FUNDAÇÃO LEMANN, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2013 | 02h05

Nos últimos anos, as políticas públicas do setor de educação subiram muitos degraus na hierarquia dos problemas brasileiros. Não que a sociedade brasileira tenha passado a reconhecer o esforço intelectual e a excelência acadêmica como valores em si ou a perceber a educação escolar pública como componente essencial da democracia e da civilidade. Foi a economia do conhecimento, da qual nos alijamos inadvertidamente, mas da qual agora nos vemos obrigados a depender, que deslocou esse desconfortável assunto do Suplemento Feminino para a seção principal dos jornais.

Temos o debate aberto, mas o rol de interlocutores está incompleto. Além de fazerem falta as representações institucionalizadas de pais de alunos das escolas estatais ou de estudantes engajados na luta por seus direitos, as políticas públicas de educação no Brasil carecem de um componente fundamental para que seus desenhos e resultados sejam melhorados: a contribuição da pesquisa acadêmica, que traz ciência e evidências para o foro, o qual tem sido desproporcionalmente ocupado por ideologias, oportunismo político, regressões estatísticas descontextualizadas e interesses variados.

Mas há raros pesquisadores dispostos a furar o bloqueio político e ideológico com conhecimento e voz política destoante, pois podem incorrer a custos pessoais e profissionais significativos, cobrados por pares ou superiores. Além disso, a competição por espaço para apresentar soluções simples e milagrosas (e inócuas) é feroz e especializada, demandando habilidades pouco desenvolvidas por este tipo de profissional.

A construção de políticas públicas eficazes e sustentáveis, num setor gigantesco e estratégico como o da educação, vai requerer monumental esforço econômico, moral, intelectual e operacional da sociedade e não pode prescindir de nenhum componente qualificado no debate. Lança-se o desafio da proporcionalidade de vozes nos processos decisórios correspondentes.

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