Economia e anistia fazem estrangeiro escolher o Brasil

Na contramão das resistências legais e políticas aos imigrantes na Europa e Estados Unidos, o Brasil se tornou um atraente destino de estrangeiros, graças à boa fase da economia e a um amplo programa de anistia aos irregulares. Desde 2 de agosto, quando a lei entrou em vigor, latino-americanos e asiáticos lotam os postos da Polícia Federal (PF) para obter visto de residência. Com isso, os chineses saltaram da 10ª posição no ranking para se tornar a 6ª maior colônia estrangeira do País, seguida pelos bolivianos (33 mil).

AE, Agencia Estado

23 de novembro de 2009 | 10h06

Os oriundos da Bolívia, no entanto, ainda lideram o ranking de pedidos de visto à PF, com 10.148 inscritos desde agosto. Eles vêm em busca de emprego e melhor qualidade de vida. Motivados também pelo desejo de viver numa democracia, ocidental, os chineses vêm em segundo lugar, com 4.275 pedidos feitos até agora. A lista prossegue com Peru (3.614) e Paraguai (3.067). Mais de dois terços dos imigrantes têm como destino o Estado de São Paulo.

Até a primeira semana de novembro, foram beneficiados mais de 29 mil ilegais, vindos de 130 nações. Mas a quarta anistia concedida pelo Brasil desde os anos 80 pode chegar a 50 mil beneficiados, superando os 39 mil da anterior, em 1998. O novo visto de residência, que após dois anos se converte em cidadania definitiva, vale para quem entrou no País, mesmo por meio ilegal, até 1º de fevereiro de 2009. "Ao contrário de outros países, humanizamos a questão, tratando o imigrante como vítima, e não criminoso", disse o coordenador do programa e secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior.

Estabilidade

Cada vez mais latinos desembarcam no Brasil, deixando para trás a economia oscilante de seus países e as rotas mais tradicionais de imigração. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de desemprego deve chegar a 9,8% em 2010, quase o dobro dos 5% registrados dois anos atrás. Outro destino tradicional, a Espanha vai terminar 2009 com 20,9% da população local sem trabalho. Números que fazem os latinos mudar o foco e ver no país do pré-sal, da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 a chance de uma vida mais digna.

"Só o que está previsto de investimento no projeto do pré-sal, da Copa do Mundo e da Olimpíada, e consequentemente a geração de empregos, é uma razão forte para convencer mais latinos a virem para o Brasil", avalia a economista Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas. A previsão da Organização das Nações Unidas (ONU) é a de que, em 2010, o Brasil reverta uma tendência histórica e, pela primeira vez desde 1960, tenha aumento no número de imigrantes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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