Economia global fraca indica desaceleração mais ampla

A desaceleração do crescimento do setor privado na China e Europa suscitou novos temores de que a recuperação da economia global esteja em risco, enquanto os Estados Unidos e outros grandes países consumidores de petróleo anunciam um plano-surpresa para puxar os preços da commodity para baixo e incentivar o crescimento.

JONATHAN CABLE E ALEXANDRA AL, REUTERS

23 Junho 2011 | 15h57

O setor privado na zona do euro cresceu apenas modestamente em junho e teria encolhido sem o apoio da Alemanha e França, enquanto o setor fabril da China mal cresceu, mostraram índices (PMIs) na quinta-feira.

Numa tentativa de incentivar a recuperação da economia global, a Agência Internacional de Energia, com 28 membros, anunciou na quinta-feira que liberaria 60 milhões de barris de petróleo no mercado global, com os EUA respondendo por metade desse total.

A AIE não mediu palavras para explicar suas intenções: "O aperto maior no mercado de petróleo ameaça enfraquecer a frágil recuperação econômica global".

Intensificando o pessimismo das perspectivas econômicas, os novos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentaram acima do previsto na semana passada, apontando para o enfraquecimento do mercado de trabalho na maior economia do mundo e renovando as expectativas de um relatório decepcionante de folhas salariais em junho. O relatório do governo sobre empregos será divulgado em 8 de julho.

O anúncio da AIE sobre esforços para reduzir os preços do óleo foi feito um dia depois de o Federal Reserve americano dizer que a recuperação nos EUA está acontecendo mais lentamente do que se previa, mas não ter prometido nova ajuda para a economia depois do término de seu programa de compra de título de dívidas, este mês.

Os preços do petróleo caíram para o ponto mais baixo em quatro meses após o anúncio da AIE. As ações mundiais também tiveram baixa, e o dólar e os preços da dívida do Tesouro americano subiram, na medida em que os investidores buscaram lugares mais seguros.

PREOCUPAÇÕES NA EUROPA; CHINA CRESCE MENOS

Outro fator que está influindo sobre as perspectivas econômicas é o fato de a Europa estar tentando preparar um segundo pacote de resgate para a Grécia e de haver receios de que a crise de dívida soberana possa novamente atingir outros países na periferia da zona do euro.

O crescimento no setor de serviços, dominante no bloco de 17 países, foi muito mais lento em junho que nos meses recentes, e as indústrias também tiraram o pé do acelerador, na medida em que os novos pedidos diminuíram pela primeira vez quase dois anos, mostraram os PMIs Markit.

Na China, que vem movendo o crescimento mundial, o setor fabril mal cresceu em junho, enquanto as medidas de endurecimento tomadas pelo banco central para controlar a inflação freiam uma economia em crescimento.

O PMI HSBC, da China, primeiro indicador disponível da atividade industrial no país no mês, caiu para 50,1 em junho, apenas uma fração acima do nível de 50 pontos que diferencia a expansão da contração. A compiladora de dados Markit disse que a leitura é consistente com um crescimento econômico de cerca de 9,1-9,3 por cento no segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro trimestre o crescimento foi de 9,7 por cento.

"Neste nível, o PMI ainda é consistente com um crescimento de 8-9 por cento do PIB", disse Mark Williams, economista sênior especializado na China na Capital Economics, de Londres. "O tamanho do declínio mais recente é alarmante, mas ainda há boas razões para acreditar que a China faça uma aterrissagem suave."

Uma pesquisa da Reuters mostrou que os sinais claros de desaquecimento da economia global levaram analistas a reduzir suas previsões para os maiores mercados acionários do mundo.

POLÍTICA ECONÔMICA MAIS DURA SENTIDA NA ÁSIA

Os sinais de desaquecimento em algumas das economias mais importantes do mundo coincidem com a retirada de estímulos.

Na quarta-feira o Fed reduziu suas previsões de crescimento econômico dos EUA mas não deu indícios sobre outros apoios monetários, dizendo apenas que a recuperação deve ganhar ímpeto aos poucos a caminho de 2012.

O banco central americano confirmou que vai encerrar em junho, conforme o previsto, seu programa de 600 bilhões de dólares de compra de títulos de dívida, fechando seu apoio total em 2,3 trilhões de dólares.

Soma-se às preocupações com o fim do estímulo do Fed a perspectiva de cortes nos gastos dos EUA buscados por republicanos no Congresso como seu preço para elevar o teto da dívida americana.

O Banco Central Europeu foi o primeiro dos quatro grandes bancos centrais a elevar juros em abril, e a expectativa é que os eleve novamente em julho, em uma luta para controlar a inflação, a despeito da recuperação cambaleante e da crise da dívida grega.

O PMI de Serviços na Zona do Euro Flash Markit caiu de 56,0 em maio para 54,2 em junho, o nível mais baixo desde dezembro.

Mas foi o 22o mês em que o índice --que mede as atividades de empresas que vão desde bancos até hotéis-- está acima do marco de 50 pontos que separa o crescimento da contração.

Economistas entrevistados pela Reuters em pesquisa este mês previram crescimento de apenas 0,3 por cento neste trimestre.

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