Ecorodovias e Triunfo disputam PPP da Tamoios com mais três grupos

O leilão de concessão da rodovia paulista Tamoios em regime de Parceria Público-Privada (PPP) recebeu cinco propostas nesta quarta-feira, com o governo do Estado de São Paulo esperando lances agressivos para um projeto de difícil execução.

ROBERTA VILAS BOAS, REUTERS

18 Junho 2014 | 15h05

Todas as proponentes formaram consórcios para participar, sendo que entre os grupos estão Ecorodovias, Triunfo Participações, Galvão Engenharia, Queiroz Galvão e consórcio integrado pela espanhola Acciona e pela brasileira J&F Investimentos.

O critério de julgamento do vencedor da PPP será o de menor valor de contraprestação anual ofertada, a parcela que será paga pelo poder concedente ao parceiro privado. O valor máximo definido pelo governo paulista é de 156,86 milhões de reais.

A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) não informou nesta quarta-feira quais foram os valores apresentados por cada proponente, mas acredita em agressividade das ofertas.

"Tendo concorrência, (o proponente) tem que fazer a melhor proposta possível. E isso faz com que empresas sejam agressivas", disse a diretora-geral da agência, Karla Bertocco, a jornalistas.

Segundo ela, a ideia é poder declarar o vencedor até o fim de agosto, após conferência de toda a documentação entregue pelos grupos, com o contrato sendo assinado entre outubro e novembro.

Essa será a primeira PPP em rodovias do Estado de São Paulo, segundo a diretora-geral da Artesp, já que as demais licitações foram concessões para a iniciativa privada, como é o caso das rodovias Bandeirantes e Anhanguera, que ligam a capital ao interior, e Imigrantes e Anchieta, entre a capital e o litoral.

O prazo da concessão patrocinada será de 30 anos e os investimentos necessários, que deverão ser realizados ao longo de todo este período, serão de aproximadamente 3,9 bilhões de reais.

Segundo o edital da PPP, o valor da tarifa por quilômetro em pista dupla será de 0,108 real.

COMPLEXO

A formação de consórcios já era esperado pela agência, dada a complexidade do projeto, disse a diretora da Artesp.

"O projeto é complexo tanto do ponto de vista de engenharia, quanto ambiental. A obra vai ser feita majoritariamente em túnel e viaduto. Dos 21 quilômetros de nova pista, 12,5 quilômetros são em túneis e 2,5 quilômetros em viaduto", explicou ela.

O vencedor da disputa em São Paulo terá de duplicar o trecho de serra da Tamoios e ficará responsável pelos serviços de operação, manutenção e conservação da rodovia dos trechos de planalto e serra, além dos contornos das cidades litorâneas de Caraguatatuba e São Sebastião.

A composição de cada consórcio não foi revelada, mas segundo a diretora da Artesp a Ecorodovias participa junto com empresa do grupo Odebrecht.

O mercado tinha expectativa de que a CCR, administradora da rodovia Dutra entre São Paulo e Rio de Janeiro e que possui intersecção com a Tamoios, participasse da disputa.

Além da CCR, analistas de mercado viam a Ecorodovias como forte candidata na disputa, diante das sinergias da Tamoios com outras rodovias já administradas pelas empresas no Estado de São Paulo.

A previsão é que as obras sejam concluídas em cinco anos, com o início da cobrança de pedágio no segundo ano após a assinatura do contrato de concessão e cumprimento de algumas condições.

As obrigações incluem o dispêndio de pelo menos seis por cento do custo de ampliação principal da rodovia, disse Karla, acrescentando que o percentual sobe para 32 por cento antes do grupo vencedor iniciar a cobrança na terceira praça de pedágio.

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