Educação melhora em SP, mas ritmo é lento

Mesmo no 5º ano, que teve o maior progresso, crescimento é inferior ao do período 2008-2009

Mariana Mandelli, de O Estado de S. Paulo, e Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

08 Março 2012 | 03h04

O ensino básico da rede estadual paulista registrou, por meio do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), uma pequena melhora entre 2010 e 2011. Mesmo assim, as notas ainda são inferiores às obtidas nas avaliações de 2008 e 2009. Entre as séries analisadas, os melhores resultados estão novamente no 5.º ano do ensino fundamental.

As notas divulgadas ontem são dados preliminares do Saresp 2011, avaliação anual da rede, e se referem ao desempenho do 5.º e 9.º anos do ensino fundamental e 3.º do médio, em matemática e língua portuguesa (mais informações nesta página).

O 5.º ano foi o que mais avançou em 2011, registrando uma melhora de 4,6 pontos na média de português e 4,4 em matemática. O aumento é quase metade do registrado na pontuação entre 2008 e 2009, quando houve crescimento de 10,4 pontos em português e 11 em matemática.

As notas do 9.º ano e do 3.º do ensino médio também aumentaram em 2011, mas de forma ainda mais tímida que no 5.º ano. No último ano do fundamental, por exemplo, a nota de matemática foi de 243,3 em 2010 para 245,2 em 2011 - em 2009 era 251.

"Houve uma queda de 2009 para 2010, mas em 2011 conseguimos reverter a tendência", afirma o secretário adjunto da Educação do Estado, João Cardoso Palma Filho. "Ainda não superamos 2009, mas estamos sinalizando um avanço muito importante, especialmente do 1.º ao 5.º ano do fundamental, no aumento do número de alunos nos níveis adequado e avançado."

Em português, o 9.º ano ficou praticamente estacionado, com aumento de 0,4. O ensino médio tem os piores índices: progrediu 0,5 em matemática e nada em língua portuguesa.

O Saresp avalia também os alunos do 3.º e 7.º do fundamental e o desempenho da rede em outras disciplinas. As notas dos estudantes são interpretadas por meio de uma escala de proficiência, em que se vê, por meio da pontuação atingida, o que os alunos sabem ou não em cada disciplina. No entanto, diferentemente dos anos anteriores, a Secretaria Estadual de Educação não divulgou a descrição das habilidades correspondentes à pontuação no nível de escala. Ou seja, não é possível saber qual conhecimento o aluno adquiriu ou não na avaliação de 2011.

De acordo com a gestão Geraldo Alckmin (PSDB), a descrição varia anualmente, de acordo com a avaliação, e "só será possível conhecer a descrição detalhada dos níveis de proficiência após elaboração das análises pedagógicas dos resultados".

Problemas crônicos. Para educadores, apesar da pouca melhora, os dados devem ser vistos de forma positiva. "É pouco, mas avançou", diz a presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Noronha. Ela atribui o progresso ao trabalho dos professores.

Priscila Cruz, diretora executiva do movimento Todos pela Educação, afirma que o melhor desempenho do ciclo I do ensino fundamental ocorre porque existe mais clareza sobre o que o aluno deve aprender nos primeiros anos. "Por isso é importante ter um currículo nacional, que oriente o trabalho do professor em sala de aula", explica.

Os dados do ensino médio, para especialistas, são preocupantes. Para Wanda Engel, do Instituto Unibanco, não adianta ensinar conteúdos dessa etapa se o aluno não desenvolveu as competências no fundamental. "É tentar colocar coisas em cima de uma base inexistente", diz.

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