Eficiência energética é a chave contra o aquecimento, diz ONU

Para órgão, cortar poluição de usinas geradoras, prédios e carros é o melhor jeito de reduzir efeito estufa

ALISTER DOYLE, REUTERS

28 de agosto de 2007 | 09h57

Melhorar a eficiência energética deusinas geradoras, prédios e carros é a maneira mais fácil dereduzir o ritmo do aquecimento global, mas o investimento paraisso atingiria centenas de bilhões de dólares, disse a ONU naterça-feira. Um relatório da entidade sobre investimentos climáticos,delineado numa reunião em Viena com mil delegados de 158países, disse ainda que as emissões de gases do efeito estufapoderiam ser contidas de forma mais barata nos países emdesenvolvimento do que nos desenvolvidos. O dinheiro necessário para que até 2030 as emissões dosgases, especialmente pela queima de combustíveis fósseis,voltem aos níveis atuais deve equivaler de 0,3 a 0,5 do PIBmundial projetado para o período, ou 1,1 a 1,7 por cento dosfluxos globais de investimentos em 2030, segundo o relatório. "A eficiência energética é o meio mais promissor de reduziros gases do efeito estufa em curto prazo", disse Yvo de Boer,chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, apresentandoo relatório na conferência, que começou na segunda-feira e vaiaté sexta. O texto, de 216 páginas, foi publicado online nasemana passada. Ele afirmou que o documento deve orientar os governosreunidos na Áustria para iniciar as discussões sobre um tratadode longo prazo contra o aquecimento global que valha a partirde 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto, que obriga 35países desenvolvidos a reduzirem suas emissões de gases doefeito estufa. O relatório estima que "o investimento global adicional efluxos financeiros de 200 a 210 bilhões de dólares serãonecessários em 2030 para devolver as emissões de gases doefeito estufa aos níveis atuais." O valor incluiria medidasrelativas a fornecimento de energia, florestas e transportes. O estudo também defende maior eficiência de usinaselétricas e combustíveis para carros e um melhor isolamentotérmico em prédios. Prevê ainda uma expansão das energiasrenováveis, como solar e hidrelétrica, e também algum avanço daenergia nuclear. Já os investimentos para a adaptação à nova condiçãoclimática podem alcançar dezenas de bilhões de dólares em 2030.Será um dinheiro destinado, por exemplo, a combater o avanço damalária, à construção de diques ou à proteção de praiasameaçadas pelo aumento do nível do mar. O relatório diz que o mercado de créditos de carbonoprecisa ser "significativamente ampliado para atender àsnecessidade de investimentos e fluxos financeiros adicionais."As empresas atualmente são responsáveis por cerca de 60 porcento dos investimentos globais. Especialistas dizem que este é o primeiro estudo que buscafazer um retrato dos investimentos necessários em um único ano--neste caso, 2030. De Boer disse que as melhores oportunidades deinvestimentos relativos à mudança climática estão nos países emdesenvolvimento, mas isso não significa que os países ricos sódevam investir fora de casa. "Mais da metade do investimento energético necessário estáem países em desenvolvimento", afirmou ele, citando o caso daChina, que abre uma média de duas usinas a carvão por semana eprecisaria de tecnologias para filtrar e enterrar o carbonoemitido na atmosfera.

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