Egípcios desafiam militares e mantêm greves e protestos

Milhares de egípcios desafiaram na quarta-feira as orientações da Junta Militar e mantiveram greves e protestos, enquanto uma comissão começou a definir mudanças constitucionais para democratizar o país após 30 anos da férrea ditadura de Hosni Mubarak.

MARWA AWAD E SHAIMAA FAYED, REUTERS

16 de fevereiro de 2011 | 18h11

Cinco dias depois da renúncia do presidente, os egípcios aproveitam as novas liberdades políticas para fazer reivindicações trabalhistas.

Os bancos estão fechados em todo o país, o que afeta diversos setores econômicos. Cerca de 12 mil operários têxteis entraram em greve na cidade de Mahalla el Kubra, e os funcionários do aeroporto do Cairo também fizeram um protesto.

A vida no país ainda está longe de ter se normalizado. As escolas permanecem fechadas, e há tropas e tanques pelas ruas. Depois dos 18 dias de rebelião que derrubaram Mubarak, o Conselho Supremo Militar assumiu o controle do país, dissolveu o Parlamento e suspendeu a Constituição, iniciando o desmonte dos mecanismos que sustentavam o regime.

Um recém-formado Conselho de Guardiões da Revolução, composto por 19 integrantes, convocou uma entrevista coletiva no centro do Cairo para dizer que seu principal objetivo é cerrar fileiras, proteger a revolução e estabelecer um diálogo com os militares.

"Haverá tentativas de abortar e desviar (a revolução), mas precisamos estar em alerta", disse Hassan Nafaa, integrante do conselho.

A Irmandade Muçulmana, grupo mais organizado da oposição a Mubarak, mas que não teve um papel de liderança na rebelião, tem um membro na comissão que está redigindo as emendas constitucionais.

Os EUA, preocupados em manter a paz que vigora desde 1979 entre Egito e Israel, veem a Irmandade com desconfiança.

"Eu avaliaria que eles não são a favor do tratado (de paz)", disse James Clapper, subdiretor de Inteligência Nacional dos EUA, a uma comissão do Senado. Ele ressalvou que a Irmandade "é apenas uma voz no emergente meio político".

Depois do feriado de terça-feira pelo aniversário do profeta Maomé, muitas categorias --de bancários a guias turísticos, de policiais e metalúrgicos-- mantiveram suas paralisações na quarta-feira, apesar do apelo dos militares para que os egípcios evitem mais transtornos econômicos ao país.

Na sexta-feira, os líderes do movimento pró-democracia realizarão uma "Marcha da Vitória" para celebrar a queda de Mubarak e demonstrar sua força aos militares.

Enquanto isso, surgiram rumores sobre o estado de saúde de Mubarak, de 82 anos, que está refugiado na sua residência de veraneio, no balneário de Sharm el Sheikh, depois de fugir do palácio presidencial do Cairo.

No seu último pronunciamento, Mubarak disse que desejava morrer no Egito.

A Arábia Saudita se ofereceu para recebê-lo, mas uma fonte do governo local disse que Mubarak recusou.

"Ele não está morto, mas não está nada bem, e se recusa a partir. Basicamente, ele desistiu e quer morrer em Sharm", disse a fonte.

(Reportagem de Marwa Awad, Edmund Blair, Alexander Dziadosz, Shaimaa Fayed, Andrew Hammond, Alistair Lyon, Sherine El Madany, Tom Perry, Yasmine Saleh, Tom Pfeiffer, William Maclean, Patrick Werr, Jonathan Wright, Dina Zayed e Amena Bakr, na Arábia Saudita)

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