Egípcios prometem defender revolução no Egito pós-Mubarak

Os egípcios acordaram no sábado para uma nova era, com o fim de 30 anos de Hosni Mubarak no poder, e estão determinados a assegurar que o Exército garanta o regime civil e preparados para usar o poder das ruas novamente se necessário.

DINA ZAYED E ANDREW HAMMOND, REUTERS

12 de fevereiro de 2011 | 12h29

Na praça Tahrir, a multidão eufórica celebrava e exigia que as Forças Armadas atendam suas demandas, incluindo a dissolução do Parlamento e a abolição das leis de emergência usadas por Mubarak para esmagar a oposição e a dissidência.

"O Exército está conosco, mas é preciso atender as nossas exigências. Meias-revoluções acabam com nações", disse o farmacêutico Ghada Elmasalmy, de 43 anos, à Reuters. "Agora nós sabemos o nosso lugar, sempre que houver injustiça, nós viremos a praça Tahrir."

Ainda não está clara a disposição do alto comando para uma rápida transição à democracia no país cuja história é marcada por faraós há mais de 5.000 anos e que agora foi transformado por uma revolta popular de 18 dias.

A TV Al Arabiya afirmou que o Exército vai demitir em breve o gabinete e suspender o Parlamento. O chefe do Tribunal Constitucional vai se juntar à liderança no Conselho Militar, que tem a tarefa de dirigir o país de 80 milhões de pessoas.

Apesar das dúvidas sobre o regime militar, a melhor dissuasão para qualquer tentativa de manter os militares no comando é o poder e a energia das ruas, com manifestantes em todo o país unidos para derrubar Mubarak, porque ele governou sem o seu consentimento.

Ditaduras em todo o Oriente Médio agora analisam suas chances de sobrevivência após a queda de Mubarak.

Em Argel, capital da Argélia, dezenas de pessoas se reuniram em uma praça da cidade no sábado, gritando slogans contra o governo. Mas elas foram cercadas por centenas de policiais determinados a oprimir qualquer tentativa de organizar uma revolta ao estilo egípcio.

O futuro de Mubarak, de 82 anos, que estaria em sua residência no resort do Mar Vermelho de Sharm el-Sheikh, permanece incerto.

SOLDADOS SORRIDENTES

A primeira prioridade no Egito é a manutenção da lei e da ordem antes do início da semana de trabalho, que começa no domingo. Tanques e soldados do Exército ficaram nas ruas e cruzamentos guardando prédios importantes, após a polícia desacreditada ter sido desmantelada.

Sem a ameaça de novos confrontos entre o Exército e os manifestantes, moradores do Cairo estão tirando fotografias com flores ao lado de soldados sorridentes em pontos de policiamento para registrar o primeiro dia da nova era pós-Mubarak.

As pessoas estavam comprando jornais estatais que proclamam "A Revolução dos Jovens forçou Mubarak a sair", com imagens de celebrações, para guardar como lembranças preciosas deste marco na história do Egito.

"Eu não imaginava viver para ver este dia ... Só espero que o novo sistema do Egito nos beneficie e realize os nossos sonhos", disse Essam Ismail, um morador do Cairo, de 30 anos. "Eu ainda não consigo acreditar que realmente aconteceu."

OPOSIÇÃO

A oposição do Egito foi sufocada por 30 anos de estado de emergência imposto depois que Mubarak sucedeu Anwar Sadat, assassinado por um oficial islâmico do Exército em 1981.

Não surgiu na oposição uma figura com poder de liderança no Egito como Nelson Mandela, na África do Sul ou Lech Walesa, na Polônia.

Entre os líderes com certa evidência no país estão Ayman Nour, que desafiou Mubarak nas eleições presidenciais mais recentes e mais tarde foi acusado de falsificação e condenado a três anos de prisão. Ele afirma que as acusações tiveram motivação política.

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, um ex-ministro das Relações Exteriores, muitas vezes ganhou o apoio público árabe por seus comentários francos. Moussa disse na sexta-feira que iria deixar a organização árabe, que ele dirige há cerca de 10 anos, dentro de algumas semanas.

Há também alguns membros do popular grupo Irmandade Muçulmana e outros partidos de oposição. Ainda não está claro se algum dos jovens líderes anônimos na organização da revolta vão querer ou serão autorizados a participar do governo.

Outra possibilidade é Mohamed ElBaradei, Prêmio Nobel da Paz e ativista da oposição, que iniciou uma campanha no ano passado para a democracia e o fim do atual governo.

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