Egípcios voltam à Praça Tahrir, tiros são disparados

O governo militar de transição do Egito ordenou aos manifestantes que deixem a Praça Tahrir, símbolo da revolta que derrubou Hosni Mubarak, no mesmo dia em que o gabinete se reúne com a prioridade de restabelecer a lei e a ordem e reativar a economia. Mas a população continuava fluindo para o local e tiros foram ouvidos próximo do Ministério do Interior, onde a polícia fazia manifestação por melhores salários.

MARWA AWAD E DINA ZAYED, REUTERS

13 de fevereiro de 2011 | 10h18

"O exército é a medula do Egito. Sua solução não é nos retirar da praça", disse um manifestante nos alto-falantes à medida que o Exército adentrava empurrando e até mesmo golpeando com cassetetes em alguns casos. "Eles devem atender nossas demandas."

O país árabe mais populoso dá seus primeiros e incertos passos rumo à democracia e os organizadores dos protestos estão formando um Conselho Tutelar para defender a revolução e negociar com uma junta militar que deseja que a vida volte ao normal.

"Não queremos nenhum manifestante na praça depois de hoje", declarou Mohamed Ibrahim Moustafa Ali, chefe da polícia militar, aos manifestantes, enquanto soldados removiam tendas da praça, epicentro da oposição aos 30 anos do governo de Mubarak.

O gabinete egípcio, formado enquanto o presidente de 82 anos ainda estava no poder, não sofrerá grandes mudanças e assistirá a transição política para um governo civil nos próximos meses, disse um porta-voz do gabinete à Reuters.

Uma reunião do gabinete marcada para a tarde deste domingo pode oferecer algumas respostas aos manifestantes, sedentos de mudança após a revolução impactante que chocou e surpreendeu o Oriente Médio, enviando um alerta a governantes autocratas por toda a região.

"O formato do governo permanecerá até o processo de transformação estar completado em alguns meses, depois um novo governo será formado baseado nos princípios democráticos colocados", afirmou o porta-voz, acrescentando que algumas pastas podem mudar de mãos.

PEQUENOS GRUPOS

Como para reforçar essa mensagem, soldados e policiais militares separaram a massa na praça Tahrir no início do domingo em pequenos grupos para permitir a circulação do tráfego pela primeira vez em semanas, de forma que as pessoas possam voltar ao trabalho.

Os manifestantes disseram que os soldados detiveram alguns de seus líderes e mais de 30 pessoas foram conduzidas a uma área de detenção do Exército próxima do Museu Egípcio, que sedia uma coleção única de artefatos antigos e se localiza nas imediações da praça. O Exército não comentou o assunto.

Os manifestantes na praça gritavam "Pacificamente, Pacificamente" para as tropas, cuja missão no primeiro dia útil da semana no Egito é permitir que os trabalhadores circulem e voltem a movimentar a economia, duramente afetava pelo levante que encerrou o governo draconiano de Mubarak.

Tanques e blindados foram posicionados ao redor da praça, ainda ostentando faixas que exigem mudança de regime e onde as pessoas se reuniam para improvisar um memorial às cerca de 300 pessoas mortas durante a revolta. Voluntários limpavam o local.

O alto comando não deu prazo para a transição, mas tentou tranquilizar a população com um comunicado no sábado, sublinhando o compromisso com a democracia e com tratados internacionais, visando sobretudo Israel, com quem assinou um acordo de paz.

A estratégia dos militares é de acalmar a nação e o mundo sobre suas intenções futuras e, no curto prazo, garantir que a lei seja cumprida depois que a polícia, caída em desgraça, se desfez, tendo se mostrado incapaz de esmagar os protestos com gás lacrimogêneo e cassetetes.

Tudo o que sabemos sobre:
EGITOCONSOLIDAINICIAL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.