Egípcios votam em eleição boicotada por oposição

Irmandade Muçulmana diz que seus candidatos foram impedidos de concorrer

Rodrigo Durão Coelho, BBC

08 de abril de 2008 | 07h40

Eleitores egípcios começaram a votar nesta terça-feira, 8, em eleições municipais que estão sendo boicotadas pelo principal partido de oposição do país, a Irmandade Muçulmana (IM). Estão em jogo 52 mil assentos em assembléias locais. Estima-se que o governista Partido Democrático Nacional, do presidente Hosni Mubarak, obtenha mais de 90% das vagas que estão sendo disputadas. O pleito municipal cresceu em importância depois que foram realizadas mudanças constitucionais, em 2005, exigindo o apoio de pelo menos 140 representantes locais para o lançamento de qualquer candidatura presidencial. "Não é uma eleição real, os candidatos são selecionados pelo governo e pela polícia. Não queremos dar a este regime uma declaração de legitimidade participando das eleições", disse à BBC, Essam Elerian, dirigente da IM. "Por isso pedimos que a população não vá às urnas." A Irmandade Muçulmana afirma que tentou a nomeação de mais de 10 mil candidatos, mas apenas 21 deles foram aprovados pela comissão eleitoral.  Oficialmente, estes candidatos sairiam como independentes, já que o partido Irmandade Muçulmana é proibido, embora seja tolerado, no intrincado cenário político egípcio. No entanto, mesmo esta tolerância parece estar diminuindo recentemente.  "Mais de 800 de nossos integrantes foram presos nas últimas semanas", afirma Elerian. A recente detenção de centenas de integrantes da IM foi condenada pela ONG sediada nos Estados Unidos Human Rights Watch, que afirmou que o ocorrido levanta dúvidas sobre a legitimidade do processo eleitoral egípcio. Mesmo o governo americano, que no passado já havia manifestado suspeitas em relação à Irmandade Muçulmana por causa de suas supostas relações ideológicas com grupos considerados 'terroristas' pela Casa Branca, declarou, no mês passado, estar 'preocupado' com onda de detenções. O site em inglês do partido também vem saindo do ar freqüentemente. O grupo acusa o governo de ser o responsável pelos problemas técnicos. O vice-presidente da organização, Mohammed Habib, afirma que o governo intensificou a repressão contra a IM para evitar que se repita um resultado como o das eleições parlamentares de 2005, quando representantes do partido (concorrendo como independentes) conquistaram 20% dos assentos. "Eles (o governo) entraram em pânico quando viram os resultados. Em seguida, mudaram a estratégia para marginalizar e sabotar a Irmandade Muçulmana", afirma ele. No entanto, dentro do Egito existem aqueles que apóiam as medidas do governo. O chefe do centro Al-Ahram de estudos políticos, Abdel Moneim Said, afirma que "a Irmandade Muçulmana é uma organização ilegal que deseja estabelecer um Estado religioso no Egito, não é parte do jogo democrático". O movimento sunita Irmandade Islâmica foi fundado no Egito em 1928 e se espalhou por outros países do mundo árabe. Um de seus princípios mais importantes é estabelecer o livro sagrado do Alcorão como a principal referência para regular a vida da sociedade. Nos últimos anos, o grupo tem evitado o uso de meios violentos para alcançar seus objetivos.     Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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