Egípcios votam em massa para presidente em 2o dia de eleição

Eleitores egípcios lotaram os locais de votação no segundo e último dia da primeira eleição presidencial nesta quinta-feira, num momento histórico para o país que escolhe livremente o seu líder pela primeira vez em seis décadas.

SAMIA NAKHOUL E TOM PERRY, REUTERS

24 Maio 2012 | 09h14

Quinze meses depois da revolução que derrubou o presidente Hosni Mubarak, os 50 milhões de eleitores têm a chance de eleger um político islâmico para governar o país pelos próximos quatro anos, mas candidatos laicos, como o ex-chanceler Amr Moussa e o ex-premiê Ahmed Shafiq também têm chances.

Eleições parlamentares concluídas no começo de 2012 deram maioria ao partido Irmandade Muçulmana, e alguns eleitores já manifestam frustração com a atuação dos novos deputados, que não conseguiram enfrentar problemas como a criminalidade, a desordem e as dificuldades econômicas.

Por isso, muitos preferem que o governo seja ocupado por alguém com experiência militar ou em cargos públicos, mesmo que o escolhido tenha vínculos com o regime deposto.

Sob sol forte, grandes filas se formaram em frente às seções eleitorais, já que muitos eleitores estão dispostos a não perderem a chance de participar do primeiro turno. O governo decretou feriado na quinta-feira para permitir que funcionários públicos compareçam às urnas.

"Vim ontem, achei muito lotado, então vim hoje", disse o engenheiro Khaled Abdou, de 25 anos, que votava no Cairo. "Preciso participar na escolha do presidente, e espero que isso leve a uma estabilidade e à mudança necessária."

A votação foi tranquila na quarta-feira, exceto por um incidente em que Shafiq, ex-comandante da Força Aérea e último premiê do regime Mubarak, foi alvo de pedradas e sapatadas, sem se ferir.

Outros candidatos importantes incluem Mohamed Mursi, 60 anos, da Irmandade Muçulmana; Abdel Moneim Abol Fotouh, 60 anos, político islâmico independente; Moussa, 75, que foi chanceler do governo Mubarak nos anos 1990, e depois dirigiu a Liga Árabe; e o esquerdista Hamdeen Sabahy, 57.

Não há pesquisas confiáveis para indicar o ganhador, mas essa incerteza, ao invés de afligir os egípcios, marca o fim de uma época em que os resultados eleitorais eram conhecidos de antemão.

"Esta é a primeira vez que voto na minha vida toda. Não participei das eleições anteriores porque sabíamos quem seria o presidente. Esta é a primeira vez que não sabemos", disse o engenheiro Mohamed Mustafa, 52 anos, no bairro de Zamalek, no Cairo.

Dificilmente algum dos 12 candidatos obterá maioria absoluta, o que levará à realização de um segundo turno nos dias 16 e 17 de junho. O resultado deve ser conhecido até sábado, embora a apuração oficial só deva terminar na terça-feira.

A Irmandade Muçulmana disse que Mursi liderou no primeiro dia da votação. A campanha de Moussa também pôs Mursi na liderança, com seu candidato em segundo lugar. Essas estimativas não puderam ser confirmadas.

(Reportagem adicional de Edmund Blair)

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