Egito busca parceria para programa nuclear

Sete empresas concorrem para prestar serviços e ajudar a implantar usinas no país.

Rodrigo Coelho, BBC

29 de maio de 2008 | 19h19

O Egito anunciou nesta quinta-feira que vai escolher uma empresa estrangeira para prestar assessoria ao seu programa nuclear.Sete empresas de Estados Unidos, Grã-Bretanha, Espanha, Austrália, Suíça, Argentina e Suécia estão concorrendo para prestar uma série de serviços e ajudar a implantar um número não-divulgado de usinas nucleares no país.O Egito havia anunciado em 2006 que reiniciaria seu programa nuclear com fins pacíficos. O país afirma necessitar de energia atômica para suprir sua demanda por energia, que cresce em média 7% por ano.Armas nuclearesA idéia de que um país do Oriente Médio está avançando com seu programa atômico pode causar preocupação, dado o potencial da região para instabilidade, mas para Steve Kidd - porta-voz da World Nuclear Association, organização que promove o uso nuclear pacífico - esse temor não se justifica no caso egípcio."O Egito tem um interesse antigo em energia nuclear, tanto para produzir eletricidade como para dessalinizar a água do mar", disse ele."Entendo que existam suspeitas de que o Irã foi além do que as regras da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à ONU) permitem, mas nem todos os países da região devem ser vistos da mesma forma, cada caso é diferente."Vários países ocidentais suspeitam que o Irã use seu programa nuclear supostamente pacífico como fachada para a fabricação de armas, algo que o país nega."Se os programas forem desenvolvidos sob a supervisão da AIEA, não creio que existam problemas, porque o nível de inspeção é grande", afirma Kidd."Além disso, é extremamente difícil transformar um programa civil em um militar. Historicamente, o que ocorreu sempre foi o oposto."Desde a década de 70, o governo egípcio vem pedindo que o Oriente Médio seja uma região sem armas nucleares. Acredita-se que o único país da região que possui um arsenal nuclear é Israel, embora o país nunca tenha oficialmente confirmado ou negado isso.ChernobylO programa egípcio foi iniciado na década de 1950 e, na década seguinte, o país adquiriu seu primeiro reator nuclear da União Soviética.Um ano após a derrota na guerra dos Seis Dias para Israel, em 1967, o Egito assinou o Tratado de Não-Proliferação Atômica, embora só o tenha ratificado em 1981. O programa egípcio foi paralisado após o acidente com a usina soviética de Chernobyl em 1985, o maior acidente nuclear da história.Kidd afirma acreditar que, até o ano de 2020, apenas Egito e Turquia, dos países do Oriente Médio, têm chances realistas de concretizar suas ambições nucleares."Outros países podem ter o dinheiro, mas a estrutura necessária é mais complicada de se obter e leva muito tempo", afirma.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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