Elas dominam as peruas

No transporte escolar as motoristas são maioria em todo o País

Ana Morano, do Jornal da Tarde,

14 de dezembro de 2007 | 16h31

Quando o assunto é transporte escolar, são elas que dominam a direção do setor no Brasil. 'A mulher tem mais jeito para lidar com as crianças, dirige com mais cautela do que os homens e é melhor recebida pelos pais', justifica Solange Aparecida do Amaral, presidente da Federação Nacional do Transporte Escolar (Fenastresc). Solange fala com propriedade. Por mais de 15 anos ela trabalhou levando e buscando pequenos no ABC paulista. E já fez uma sucessora: sua filha também adotou a profissão. 'Quando ela era mais nova, sempre me ajudava. Agora conduz o próprio carro', diz. Em comum, as mulheres que dirigem peruas de transporte escolar têm, além da carteira de habilitação categoria 'D', muita paciência e paixão por crianças e carros. A rotina de trabalho em geral é dividida em quatro turnos que seguem os horários de entrada e saída dos alunos, tanto no período matutino como no vespertino. Mãe e dona de casa Angela Morcelli, ou 'tia' Angela, como é carinhosamente chamada pelas crianças que transporta diariamente em sua Hyundai H100, começou no transporte escolar em 1996, após ter sido demitida de uma multinacional. E não se arrepende. 'Costumo dizer que tudo aconteceu na hora certa, pois pude trabalhar, ser mãe e dona de casa', conta ela, que por vários anos teve o filho entre seus passageiros. A satisfação de tia Angela com o trabalho pode ser percebida pela forma com que ela se refere à sua rotina e especialmente às crianças que transporta. 'Nós criamos uma relação muita próxima, cada um deles é como se fosse meu próprio filho. Afinal, acompanho o crescimento deles', diz a motorista, que nas horas de folga guia um sedã Corsa. 'Mas me acostumei tanto com a van que costumo usá-la para os afazeres do dia-a-dia.' Ela trabalha em uma linha com alunos da escola Jardim São Paulo, na Zona Norte da Cidade. Pipoca a bordo Denise Guterres é carioca, mãe de dois filhos e de tanto que gostava de crianças decidiu trabalhar com transporte escolar na capital fluminense. 'Sou apaixonada pelo que faço', diz. Para manter a ordem na van ela costuma lançar mão de alguns truques. 'Tem microfone para eles cantarem e pirulito aos que se comportam e usam o cinto de segurança', afirma. 'Toda sexta-feira, por exemplo, é dia de pipoca. Eles já ficam esperando e enquanto se distraem comendo, vou deixando-os em casa, um a um.' Assim como tia Angela, Denise diz que prefere usar a van para os afazeres diários. 'Para o supermercado é ótimo, porque cabe mais coisas e meus filhos adoram. Outra vantagem é que nos finais de semana podemos reunir os amigos e levar todos no mesmo carro para nossos passeios. Eu adoro ser a motorista deles também', afirma.

Tudo o que sabemos sobre:
transporte escolar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.