Ele faz o que for preciso para poder tomar o melhor café

Entrevista com o finlandês Teemu Pihlatie, café-maníaco e executivo de banco

Janaina Fidalgo,

30 de setembro de 2010 | 08h59

 

 

O finlandês Teemu Pihlatie é executivo de banco. Trabalho estressante e teórico. Tangível e visceral mesmo só a relação que ele tem com café. Em seu blog, o Espresso Passione diz que é aficionado pela bebida. Se ele chega a ser, assim, um coffee geek? Basta ver os equipamentos profissionais que tem em casa. "Talvez seja um pouco exagerado para uso doméstico, mas isso sou eu", justifica-se, em entrevista ao Paladar.

Teemu está na quinta máquina de expresso (já teve uma La Marzocco GS3 e tem uma Duetto) e no oitavo moinho, um Mahlkönig. Brinquedos de gente grande. Diz que agora focará suas compras no café coado, apesar de o expresso ser seu favorito.

Por que se interessou por café?

Sou finlandês, e finlandeses bebem mais café per capita do que qualquer outro povo. Tomo café desde a adolescência, mas só em 2003 comecei a prestar atenção à qualidade e ao sabor. Isso aconteceu quando um amigo preparou o melhor expresso que provei. Foi feito numa máquina de café barata, mas com grãos recém-torrados e moídos. Percebi como um expresso podia ser melhor do que aqueles que eu tinha tomado em cafeterias.

Você é um coffee geek?

Diria que sim. Faço tudo que posso para me certificar de que meu café seja o melhor possível. Além de procurar grãos de qualidade recém-torrados (e bem torrados) por torrefadores locais, encomendo online grãos de vários países. Além disso, gosto de ter certeza de que minha máquina de café seja de primeira qualidade e esteja limpa e bem conservada. E hospedo um fórum de discussão sobre o café finlandês no www.ristretto.fi.

O que diferencia um coffee geek de um consumidor comum?

O coffee geek tem infinitamente mais interesse no sabor do café. Para ele, é mais do que a dose necessária de cafeína. É algo para saborear e apreciar. Também quer saber sobre a história do café que está na xícara: de onde veio, como foi processado e torrado, o que está por trás do perfil de sabor na sua boca.

Como é sua relação com o café hoje em dia?

É algo que me traz prazer e equilíbrio. Prazer porque tem a ver com aromas, gostos e visual - é uma diversão ver a reação dos amigos quando eles vivenciam a experiência do café de um jeito que nunca tinham provado antes. E equilíbrio porque meu trabalho é agitado, muito teórico e não muito tangível. Café é algo emocionante, visceral, me equilibra e me relaxa.

Já fez loucuras pelo café?

A história por trás da minha La Marzocco GS3 é boa. Eu morava em Copenhague e fui à Itália nas férias, com minha namorada, visitar a fábrica da La Marzocco, nos arredores de Florença. Nos receberam calorosamente e durante a visita nos mostraram os protótipos da GS3. Acabei ficando com uma das primeiras que saíram da linha de produção. Era fantástica. Um ano depois, me casei e a empresa emprestou uma GS3 e um moedor para o nosso casamento na Itália! Ficamos muito felizes de poder servir expresso aos convidados.

 

Veja também:

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blog Blog do Paladar

 

 

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