Eleição de Bergoglio causa surpresa entre cardeais do País

D. Geraldo Agnelo, em seu 2º conclave, diz que desta vez a escolha foi menos previsível: 'Este papa não era tão esperado'

CIDADE DO VATICANO, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2013 | 02h06

A escolha de Jorge Mario Bergoglio para suceder a Bento XVI não surpreendeu apenas a opinião pública internacional. Ela também não era prevista pelos cardeais brasileiros que participaram do conclave. Ainda que seu nome fosse evocado nas discussões entre os cardeais desde a semana passada, a votação do argentino - que obteve mais do que os 77 votos necessários - não era esperada por seus pares.

Isso ficou claro ontem, durante entrevista de alguns dos cinco cardeais brasileiros que estiveram presente na votação. "Não preciso dizer a vocês que foi uma surpresa", confirmou d. Raymundo Damasceno, arcebispo de Aparecida. "Foi uma surpresa para todos nós."

D. Geraldo Majella Agnelo, arcebispo emérito de Salvador e cardeal que participou de seu segundo conclave, lembrou a eleição do alemão Joseph Ratzinger, em 2005, para destacar o quão inesperada a escolha de Bergoglio foi. "Não houve discussão, já era previsto", lembrou, referindo-se a Bento XVI. "Agora este papa parece que não era tão esperado", reconheceu.

Para d. Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo que foi considerado um dos grandes favoritos do conclave, a votação de Bergoglio demonstra que "a Igreja não é só feita de cálculos humanos". "As cotações prévias foram para o espaço", disse d. Odilo, criticando de forma indireta os prognósticos feitos pela imprensa internacional. "Eu lhe pergunto: com que critério foram feitos esses cálculos? Foram cálculos humanos, mas a Igreja não é feita só de cálculos humanos", esbravejou. "A Igreja é humana, mas é conduzida pelo Espírito Santo."

O cardeal reclamou ainda da forma como as Congregações Gerais e o conclave foram apresentados à opinião pública, como se tivessem sido momentos repletos de desavenças entre os 115 participantes. / ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL

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