Eleição no Zimbábue é 'intimidação em massa', diz oposição

Segundo líder oposicionista eleitores estão sendo obrigados a votar no governo.

Da BBC Brasil, BBC

27 de junho de 2008 | 16h06

O líder de oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, descreveu o segundo turno da eleição presidencial desta sexta-feira como um exercício de intimidação em massa."O que está acontecendo hoje não é uma eleição. É um exercício de intimidação em massa com as pessoas em todo o país sendo obrigadas a votar", afirmou.Apenas o presidente Robert Mugabe está concorrendo, apesar de o nome de Tsvangirai ainda estar na cédula.Tsvangirai está boicotando o pleito por causa da violência e da intimidação sofridas pelos seus partidários e descreveu a votação como uma simulação organizada por uma "ditadura desesperada"."Felizmente, o zimbabuanos estão tentando ficar longe das urnas, pois eles podem diferenciar a democracia de uma ditadura desesperada pela ilusão de legitimidade", acrescentou.ComparecimentoSegundo jornalistas e diferentes observadores, o comparecimento dos eleitores ao longo do dia em todo o país estaria sendo baixo.Tsvangirai afirma que milícias leais a Mugabe estão fazendo com que os eleitores não votem no partido de oposição, Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês)."Em muitas áreas rurais, em algumas áreas urbanas, as pessoas estão sendo obrigadas a passar a noite em frente às zonas eleitorais. Hoje (sexta-feira), eles receberam ordens da milícia para registrar seus números de registros nas cédulas para identificar qualquer um que vote no MDC", afirmou.O ministro da Justiça, Patrick Chinamasa, afirmou que as alegações da oposição são mentirosas."É o tipo de mentira que o MDC está tentando espalhar. Eles não aceitam que as pessoas possam agir de acordo com a própria escolha. As pessoas que estão saindo para votar estão fazendo isso de acordo com a própria vontade. Não há intimidação", afirmou.O ministro também negou as informações de que gangues de jovens leais a Mugabe estão indo de porta em porta para forçar os eleitores a votarem. O presidente Mugabe, por sua vez, já depositou o seu voto e disse que está otimista.Pressão internacionalA eleição está sendo levada adiante apesar de pressão internacional para seu adiamento.Ministros do Exterior do G8, reunidos no Japão, disseram que não podem aceitar a legitimidade de um governo no Zimbábue "que não reflita a vontade do povo zimbabuano".Segundo o G8, violência, obstrução e intimidação tornaram uma eleição livre e justa no país impossível.Os Estados Unidos e a Alemanha disseram que o Conselho de Segurança das Nações Unidas vai considerar a possibilidade de sanções contra o Zimbábue quando se reunir na próxima semana.O correspondente da BBC no sul da África Peter Biles disse que o clima entre os partidários da oposição no Zimbábue é de medo.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.