Eleição terá '2º turno' em caso de impasse

Após 34 escrutínios, os dois candidatos mais votados disputarão apoio de 2/3 dos cardeais

JOSÉ MARIA MAYRINK, ENVIADO ESPECIAL / VATICANO, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2013 | 02h10

O conclave que elegerá o novo papa - cujo início foi marcado para terça-feira - prevê a realização de um segundo turno entre os dois candidatos mais votados se o impasse se mantiver após 34 escrutínios. Se isso ocorrer, será vencedor o cardeal que obtiver 2/3 dos votos. Antes, nesse "segundo turno", era exigida apenas maioria simples - a mudança foi feita por Bento XVI.

A votação prevê o máximo de seis votações até a sexta-feira para se atingir os dois terços dos votos (77) para a escolha do papa. Se após quatro dias de votação nenhum candidato alcançar os dois terços, haverá um dia de pausa para reflexão e oração.

O processo se repetirá nos dias seguintes, até se chegar ao mínimo necessário, até o total de 34 escrutínios. Permanecendo o impasse, muda-se a regra, surgindo uma espécie de segundo turno entre os dois cardeais mais votados. Então será eleito papa quem obtiver dois terços dos votos nesse modelo.

As regras para o conclave foram alteradas nos últimos dois papados. As estabelecidas por João Paulo II (1978-2005) mantiveram-se praticamente inalteradas, exceto no caso de impasse. João Paulo II determinou que, sem um vencedor após 34 escrutínios, seria considerado eleito, por maioria simples, um dos dois cardeais mais votados.

Bento XVI retomou a exigência de uma vantagem de dois terços, mesmo no caso de impasse após os 34 escrutínios. Seu objetivo era assegurar que os cardeais buscassem logo um consenso e, com isso, evitassem o prolongamento das votações até que a eleição exigisse uma maioria simples para eleger o papa - o que poderia resultar na escolha de um pontífice enfraquecido ou eleito com um grande número de votos contrários.

A programação do conclave começa na manhã de terça-feira, quando os cardeais celebrarão a missa Pro eligendo pontifice (Pela eleição do pontífice) na Basílica de São Pedro e, em seguida, caminharão em procissão para a Capela Sistina, local da eleição. À tarde, haverá o primeiro escrutínio - e eles se sucederão até a escolha do pontífice.

Nos últimos cem anos, nenhum conclave durou mais que cinco dias. A demora para a definição da data do início do conclave facilitou um maior contato entre os cardeais para discutir o perfil ideal do novo pontífice e a discussão dos problemas da Igreja a serem enfrentados.

Acomodação. A Casa Santa Marta, onde os cardeais se alojarão durante o conclave, já está pronta para recebê-los. O prédio fica na área interna do Vaticano. Os eleitores poderão caminhar a pé, entre a Santa Marta e a Capela Sistina, ou usar um carrinho motorizado. Os cardeais não terão contato com o mundo exterior. Funcionários que farão o serviço da casa prestam juramento de nada revelar sobre o que ocorrer durante o conclave.

Os apartamentos da Santa Marta serão distribuídos por sorteio. Na Capela Sistina, os lugares serão ocupados na seguinte ordem - cardeais-bispos, cardeais-presbíteros e cardeais-diáconos. Ninguém poderá usar telefone e aparelhos eletrônicos de comunicação no conclave - a não ser para pedir um médico.

O eleitor que se ausentar do conclave por razão grave poderá entrar de novo - sempre obrigado ao sigilo. / COM REUTERS

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