JF Diorio/AE
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Eles emigraram, e a cozinha veio junto

Sue e o filho Yukio abriram em 1974 o restaurante Deigo, ponto de referência dos okinawanos em SP

18 Janeiro 2012 | 18h50

Das diferentes províncias do Japão, Okinawa foi a que mais emigrantes enviou para o Brasil - principalmente para São Paulo. Aqui, sentiam saudade da comida caseira, e Sue Ishikawa sabia preparar os pratos essenciais na mesa de uma família okinawana.

Por isso decidiu trocar o trabalho de costureira - arranjado por seus parentes na Vila Carrão quando chegou de Okinawa - pelo de cozinheira. Em 1974, com a ajuda do filho Yukio, abriu um restaurante na Liberdade. Está lá até hoje, no mesmo lugar. É o Deigo (nome de uma flor originária da Índia, que, por sua beleza, foi escolhida como símbolo de Okinawa).

Yukio Oyakawa é um okinawano autêntico. Nasceu na cidade de Nago, no norte da ilha. Tinha 15 anos quando chegou ao Brasil, em 1966, só com a mãe. No início da década de 50, a ilha, arrasada na batalha de 1945, estava em lento processo de reconstrução. Não era fácil chegar a Naha. A comida praticamente se limitava à batata-doce, alimento que os okinawanos importaram da China no fim do século 16. A vida continuava difícil para a população quando Sue decidiu partir para o Brasil com o filho.

Yukio lembra que, no início, só seus parentes e amigos iam ao Deigo. Hoje o público é diversificado, os okinawanos nem são mais maioria. Mas Okinawa, claro, está presente no cardápio do restaurante - e alguns de seus mais fiéis e antigos clientes são de origem okinawana.

O sobá preparado à moda okinawana, o goyá cozido ou frito, a costelinha de porco com missô, a sopa de pé de porco, o joelho de porco cozido, todos tão apreciados pelos okinawanos, estão sempre no cardápio. Para os que procuram outros pratos de Okinawa, como mimigá (orelha de porco) ou kuubu irichi (cozido à base da alga kombu), é só ligar na véspera encomendando.

Ah!, e a comida japonesa do Deigo também é impecável. Ótimo sushiman, Yukio corta os peixes no sentido correto, na espessura adequada. A casa serve também pratos quentes japoneses.

ONDE FICA

Deigo

Pça. Almeida Júnior, 25, Liberdade, 3207-0317. 18h/0h (fecha dom.). Não aceita cartões.

Dieta dos 100

Em meados da década de 1970, quando descobriu que em Okinawa havia 400 pessoas com mais de 100 anos, índice de longevidade não encontrado em outras partes do Japão e equivalente ao quádruplo da proporção dessa marca etária no Ocidente, o país decidiu investigar as razões desse fenômeno. Dois pesquisadores americanos, os gêmeos Bradley (médico) e Graig Willcox (antropólogo médico, gerontologista e Ph.D.), vêm acompanhando a questão há quase 20 anos e, na década passada, publicaram, com a colaboração do médico japonês Makoto Suzuki, o livro The Okinawan Program. Best-seller em todo o mundo (não há edição em português), nele os autores dissecam a dieta comum dos okinawanos, seus hábitos e modo de vida e apontam o que lhes parece ser as razões da longevidade. Entre elas, está o consumo de legumes frescos, certos tipos de peixe, algumas partes do porco, poucas conservas, carne vermelha em quantidades moderadas e chá.

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