Eletrobrás domina leilão pós-apagão

Estatais do grupo levaram 6 dos 8 lotes ofertados pela Aneel e participação das empresas privadas foi reduzida

Kelly Lima, RIO, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

No primeiro leilão de linhas de transmissão pós-apagão, realizado ontem na Bolsa do Rio, o grupo Eletrobrás e suas coligadas (Furnas, Eletronorte e Chesf) levaram seis dos oito lotes ofertados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). "Nossa participação é a mesma de leilões anteriores. Nenhuma participação em leilão se define de uma semana para outra, ou por causa de um apagão", disse o presidente de Furnas, Carlos Nadalutti.

O diretor geral da Aneel, Nelson Hubner, também não atribuiu a baixa participação privada aos problemas de fornecimento, mas admitiu que a crise mundial teve impacto sobre o leilão. "As empresas ainda não tiveram tanta força para apresentar propostas mais agressivas", avaliou. Mas considerou que "os resultados do leilão são bastante positivos".

Ele também minimizou o fato de as controladas da Eletrobrás terem se destacado. "Elas têm participado de todos os leilões da mesma forma. Esse leilão tem característica de lotes pequenos, e quando estão dentro da área de atuação de uma empresa estatal federal, obviamente, ela tem condição muito mais vantajosa de operar."

Furnas foi a principal vencedora. Levou três dos quatro lotes que disputou sozinha ou em parceria com outras empresas, entre os quais o que oferece a maior receita, das linhas de transmissão e subestação no Estado de Goiás. Esse foi também o lote mais disputado, único a ir para o sistema de viva voz (com a Cymi Holding), e apresentou o maior deságio, de 32,44%. Nesse tipo de leilão, como o das rodovias, ganha quem oferecer o maior deságio, ou seja, a menor tarifa para administrar a concessão.

Já o menor deságio também foi apresentado por uma controlada da Eletrobrás, a Eletronorte, de 0,01% para arrematar sem concorrência uma linha de transmissão de 20 quilômetros na Amazônia. Na média, o deságio de todo o leilão foi de 28,43%, um pouco mais do que os 25,32% do leilão anterior, no início de 2009, mas bem abaixo dos leilões de dois a quatro anos atrás, quando superavam os 50%.

"O desconto médio mostrou que houve pouca competitividade entre os consórcios, dado o aumento das incertezas e a falta de esclarecimento em relação ao apagão", comentou o analista Rafael Quintanilha, da Brascan Corretora. Outro fator citado para justificar o deságio menor foi a redução no valor das Receitas Anuais Permitidas (RAPs). "Diante dos elevados deságios, reavaliamos as ofertas e pudemos reduzir mais essa receita sugerida. A tendência é de que este valor caia a cada leilão", comentou Hubner.

A espanhola Cobra conseguiu levar um dos quatro lotes que disputou, de linhas de transmissão e subestação em Minas Gerais. Já as demais empresas de origem espanhola Abengoa, Elecnor e Isolux - que, por terem escritório no País, são consideradas nacionais - tiveram participação tímida, em nada lembrando o furor dos primeiros leilões nesse sistema, três anos atrás, quando arrematavam de 60% a 70% dos lotes, com larga margem de diferença sobre as estatais.

A Alupar levou um dos dois lotes que disputou, da linha de transmissão em Mato Grosso. A companhia venceu disputa com a Eletronorte, que ofereceu para o mesmo lote um deságio equivalente à metade do seu.

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