Eletrobras quer apoio da União para captar com rating soberano

A Eletrobras não prevê contar com aportes do Tesouro Nacional, nem emitir debêntures ou aumentar o capital, mas espera ter garantias da União para poder captar 3 bilhões de reais em financiamentos neste ano com bancos públicos com nota de crédito soberana, disseram executivos da companhia a jornalistas nesta quinta-feira.

Reuters

28 de março de 2013 | 14h34

Segundo o diretor financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Armando Casado, dentre os investimentos previstos pela empresa até 2017, um montante de cerca de 18,5 bilhões de reais ainda não está com o funding equacionado.

"Estamos definindo qual será a melhor forma do que pode ser de capital próprio, o que pode ser financiamento e o que será de venda de ativos", disse a jornalistas o presidente da estatal, José da Costa Carvalho Neto.

Casado disse que a Eletrobras decidiu manter o pagamento de retorno aos acionistas, apesar do prejuízo de 6,9 bilhões de reais em 2012, por ter conta de reservas de lucro acumulada em 11 bilhões de reais.

O conselho da Eletrobras decidiu propor pagamento de juros sobre capital próprio de 867,9 milhões de reais. Com isso, as ações preferenciais classe B da companhia subiam 14,8 por cento às 14h24 desta quinta-feira na Bovespa. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,06 por cento.

"Dentro da composição da conta patrimonial, tínhamos reserva de lucro de 18 bilhões de reais, com os ajustes (relacionados às perdas com o processo de renovação das concessões), caiu para 11 bilhões, mas ainda assim temos reserva de lucro significativa e por isso decidimos pagar dividendos", disse Casado.

EFEITO CONTÁBIL

Segundo os executivos da empresa, os resultados da Eletrobras em 2012 foram fortemente impactados pelos efeitos contábeis do processo de renovação condicionada das concessões e outros fatores não recorrentes. Somente as concessões tiveram um efeito negativo de cerca de 10 bilhões de reais.

Essa conta inclui a diferença entre a expectativa de indenização esperada pela Eletrobras e o valor efetivamente pago pelo governo para compensar os ativos não amortizados dos empreendimentos, além da readequação das indenizações das concessões de geração e transmissão da empresa ainda a vencer.

"O nosso lucro, pelas operações normais, não fossem os fatores não recorrentes, seria de 5,9 bilhões de reais", disse Carvalho Neto. (Por Leonardo Goy; Edição de Aluísio Alves)

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